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Um final feliz!

O Pontificado de Bento XVI durou simplesmente sete anos, todavia foram muito intensos e terríveis. Deram abundantes frutos apostólicos, abriram horizontes inimagináveis na fé e na razão da humanidade, mas deixaram marcas profundas e visíveis na mente e no coração dum Ratzinger cuja espiritualidade, racionalidade e amor a Deus sempre foram o cerne da sua existência.

Maria Susana Mexia
10 Mar 2013

Recordemos a crise com o Islão depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a violência religiosa;
A deformação das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem à África, que suscitou um protesto mundial;
A vergonha sofrida pelo explodir da questão dos sacerdotes pedófilos, por ele enfrentada;
O caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em relação aos quatro bispos ordenados por D. Lefébvre (o Papa revogou as ex-comunhões) se transformou numa reprovação mundial contra Bento XVI, porque não tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles;
As incompreensões e dificuldades de pôr em acção o seu desejo de transparência quanto às finanças do Vaticano;
A traição de uma parte do seu grupo mais próximo no caso Vatileaks, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar…
Bento XVI não teve tréguas, a umas desgraças sucediam-se outras ainda piores, nada lhe foi poupado. Não sofreu atentados físicos como João Paulo II, mas as provações morais de rara violência e requinte foram uma constante agressão à sua dama – A SANTA MADRE IGREJA.
Só Deus conhece o poder e a fecundidade da sua humildade, da dignidade da sua retirada e dos seus propósitos para bem continuar a servir.
Corajosamente resignou, prometendo ficar em recolhida oração, num colóquio constante e permanente com o seu Amado, longe da maldade e pequenez dum mundo excessivamente mundano, que muito se empenhou em melhorar.
Da Praça de S. Pedro a Castelgandolfo foram impressionante os gestos de despedida que o mundo lhe preparou, as manifestações de apreço, afecto, carinho, sentido espiritual e agradecimento pelo legado que o seu pontificado nos deixou, pela imensa riqueza da sua sensibilidade artística, cultural, científica, filosófica e teológica.
A humildade, a tranquilidade e a elegância com que soube conduzir a Barca de Pedro, num mar mais tenebroso do que as águas agitadas de Tiberíades, fizeram dele o Papa perfeito para este início do século XXI.
Sua santidade falou de Deus aos homens, agora vai falar a Deus dos homens e a nossa RTP falou-nos do Papa. Com profissionalismo brilhante, rigor, amor à veracidade dos factos e integridade, omitiu juízos de valor, comentários desonestos, desadequados, menos próprios ou até deselegantes.
Jornalistas, comentadores e todos os profissionais envolvidos fizeram um excelente trabalho e deram o exemplo de como devem ser tratados os acontecimentos, nomeadamente de cariz católico, numa sociedade que se intitula pluricultural, democrática e laica.
Pelas excelentes imagens que nos transmitiram, pela dignidade deontológica e pela magnífica lição que deram, eu sinto o imperativo ético de dizer:  “Obrigado RTP “.




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