Fotografia:
Deu boleia a duas senhoras que tinham morrido

Há factos que são desconcertantes. Quando eles acontecem e não os sabemos explicar, a primeira tendência é para os pôr em dúvida ou para os negar; mas, isso não resolve a nossa ignorância. Os sistemas ideológicos fazem o mesmo. O caso que vos vou narrar passou-se, há anos, na zona oeste de Lisboa e foi, na altura, relatado na televisão. Ao fim da tarde, depois de terminado o seu dia de trabalho, um médico vinha para casa, no seu carro e reparou que, numa curva, duas senhoras lhe pediam boleia (nessa altura, ainda se podia dar boleia sem se correr o risco de ser assaltado).

M. Ribeiro Fernandes
10 Mar 2013

Parou e trouxe as duas senhoras até à casa delas, um solar antigo, não muito distante dali. Agradecidas, elas convidaram-no a entrar e a tomar um chá. Ele escusou-se amavelmente, porque ia cansado; mas, por cortesia, acabou por aceitar. Entraram em casa e, enquanto uma delas ficou a falar com ele, na sala, a outra foi preparar o chá e uns bolinhos.
Entretanto, antes de tomarem o chá, ele pede licença para ir lavar as mãos. Voltou, depois, para a sala, continuando a conversa. A outra senhora veio, serviu o chá e as duas agradeceram a gentileza da boleia que lhes deu. E ele continuou o seu caminho, de regresso a casa.
Ao chegar lá, reparou que se tinha esquecido do relógio em casa dessas senhoras, quando foi lavar as mãos ao wc e decidiu passar por lá, no dia seguinte, para o trazer. Parou no local exacto onde, na véspera, tinha estado, mas reparou que a casa estava diferente, parecia em estado de abandono. Ainda duvidou se seria aquela a casa onde esteve na véspera; mas, pelo contexto, verificou que foi ali mesmo. Por sim por não, chamou um sujeito que andava a trabalhar no jardim, dentro do gradeado da casa e perguntou-lhe se moravam ali duas senhoras, uma delas já de mais idade. E acrescentou: é que, ontem, eu dei-lhes boleia até aqui, elas insistiram que eu entrasse e fosse tomar um chá; eu fui, mas esqueci-me do relógio no wc, quando fui lavar as mãos. Hoje, vinha cá para o levar, mas reparo que a casa não parece a mesma, tem aspecto de abandono… Como pode ser isto, de ontem para hoje? Será ilusão minha?
O jardineiro diz-lhe que realmente aquela casa era de duas senhoras, mãe e filha, que tinham morrido, há uns anos, num desastre de automóvel, precisamente na curva em que ele referiu que elas estavam a pedir boleia e que, desde aí, a casa tem estado um pouco abandonada. Será que ele se enganou na casa?
O médico disse que não, que a casa era aquela. Lembrava-se bem de ter lá estado com elas, no dia anterior. Pelo sim pelo não, para confirmar se estava ou não enganado, pediu-lhe que fosse com ele ao wc para ver se estava lá o relógio. E descreveu como ele era.
O jardineiro encolheu os ombros, como quem diz que isso era impossível, mas… lá foi com ele. Para seu espanto, o relógio estava lá mesmo, onde ele o tinha deixado.
Esta a história foi contada pelo próprio médico na televisão e ainda hoje as pessoas falam dela, mas ninguém sabe explicar como foi possível. Eu também não sei. O que posso garantir é que a pessoa que ora a relatou é normal, sei onde trabalha, até se ofereceu para ir lá mostrar o local e não apresenta qualquer comportamento delirante.
Ao nível da Parapsicologia, há quem admita a hipótese de se poder tratar de um fenómeno de fantasmogénese, em que alguém, dotado de especial energia corporal, fosse capaz de fazer aparecer ectoplasmaticamente a figura dessas duas senhoras; mas, o sujeito que ora narrou a história diz que toda a gente conhecia o médico e nunca ninguém lhe atribuiu qualquer comportamento invulgar. Depois, há o pormenor do relógio, que confirma a narração e foi testemunhado pelo jardineiro.
Vale a pena destacar um aspecto curioso: as duas senhoras terem aparecido a pedir boleia exactamente no mesmo local onde tinham sido vítimas do desastre de automóvel que as vitimou. Raymond Moody Jr, estudioso de fenómenos post-mortem, apresenta uma explicação para isso, que ora não podemos desenvolver.




Notícias relacionadas


Scroll Up