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Um olhar em redor

Esta quadra invernosa, felizmente prestes a deixar-nos, tem sido particularmente agreste e desabrida, com seus dias de chuva quase constante acompanhada de ventos fortes, que vergam o arvoredo, destroem casas, provocando também, esta inclemência do tempo, as inevitáveis enchentes que deixam, não poucas vezes, famílias inteiras sem abrigo e sem haveres, normalmente as mais pobres.

Joaquim Serafim Rodrigues
9 Mar 2013

Não veja o prezado leitor, neste intróito algo sombrio, qualquer assomo de pessimismo da minha parte. Nem pensar! As coisas são como são, há que aceitá-las, pois é nestas ocasiões inevitavelmente adversas que o Homem sentirá mais e mais o drama da sua atribulada existência, mormente os mais desfavorecidos, os oentes e os idosos.
Seria melhor e mais bonito falar-vos de rosas. Mas ainda não estamos em maio – sendo que o meu intuito é procurar incutir nos mais fracos, ou menos afoitos, uma boa dose de fé, de alento e de crença em dias melhores, os quais, ciclicamente, acabarão par voltar, visto que, diz-nos a sabedoria do povo “não há mal que sempre dure”.
É esta uma batalha ingente que vimos travando há milénios, não raro gastando tudo com vista à consumação de um sonho nunca concretizado, correndo atrás de uma quimera, de uma felicidade ilusória que caprichosamente teima em fugir-nos. Contudo, caro leitor, há que saber aceitar os factos, ou os acontecimentos, tal como na realidade eles são, encarando-os de frente e sem tibiezas, jamais permitindo que o ânimo nos atraiçoe, pois é justamente face aos momentos difíceis que melhor poderemos mostrar, ou demonstrar, aquilo de que somos capazes ou não. Por outras palavras: a “fibra” que nos distingue uns dos outros quando a temos.
Vida é acção, movimento, luta constante, dor não poucas vezes. E quão agradável e grato nos é, vencida que foi qualquer provação, vivermos alfim o instante inefável do triunfo alcançado mas, talvez mais do que isso, a satisfação do dever cumprido, o qual servirá como exemplo a ser seguido pelos outros.
Por me parecer virem a propósito, introduzo aqui estes belíssimos versos do notável poeta brasileiro Francisco Octaviano:
“Quem passou pela vida em branca nuvem / E em plácido repouso adormeceu; / Quem não sentiu o frio da desgraça, / Quem passou pela vida e não sofreu: / Foi espectro de homem, não foi homem, / Só passou pela vida, não viveu”.
É claro que uma tal composição poética não pode nunca ser tomada à letra, pois não desejável que um homem, qualquer homem, para viver a vida, tenha obrigatoriamente que sofrer, “que sentir o frio da desgraça”. Importa reter, isso sim, a sua essência, a ideia principal que dela se desprende – e meditar na beleza que ela encerra!
Falei algumas linhas atrás em “fibra”, ou têmpera, aquela rijeza de que alguns dão mostras, permitindo-lhes fazer face às agruras da vida sem desfalecimentos. Porém, esses atributos não podem ser entendidos apenas como coragem, ou bravura, no sentido puro da palavra visto que, sem a componente espiritual (chamemos-lhe fé, crença em algo que nos transcende, como queiram), tais qualidades, por vezes e por si só não são decisivas.
Fiz-me entender? Oxalá!




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