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Dia Internacional da Mulher Guadalupe Ortiz de Landázuri – a santidade com nome de mulher(1)

A lenda do Dia Internacional da Mulher que surgiu na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado, não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada pelas mulheres em vista a uma igualdade de direitos e deveres entre os dois sexos, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

Maria Fernanda Barroca
9 Mar 2013

Mas como um exemplo vale mais que muitas palavras, proponho-me apresentar excertos da biografia de uma Mulher – Guadalupe Ortiz Landázuri, nasceu a 12 de Dezembro de 1916. A família já contava com três filhos todos rapazes, de modo que ainda foi maior a alegria quando uma apareceu uma rapariga.

Nasceu num lar cristão e por isso foi baptizada a 24 de Dezembro do mesmo ano. No lar em que nasceu Guadalupe – Lupe (como lhe chamavam em casa), não havia o problema da igualdade entre os sexos.

O pai ainda que dedicasse muito tempo à carreira militar, não descurava a mulher e os filhos: ajudava a arrumar a casa, a mudar as fraldas aos filhos, dava-lhes de comer, ou para a mulher descansar, servia à mesa. Também tinha outra função: à noite ia ao quarto dos filhos para rezar com eles, enquanto a mulher ia ao quarto de Guadalupe com o mesmo fim.

Aos 10 anos Guadalupe começa os estudos secundários, casualmente na única turma mista da escola e logo aí quis afirmar-se como sendo capaz de fazer o que faziam os rapazes, mas sem nunca perder a sua feminilidade.

A mãe estava atenta ao evoluir da situação social e assim, ensinava-
-lhe o que julgava imprescindível que uma mulher soubesse fazer: bordar, cuidar do arranjo da casa, etc. A sua habilidade neste campo não era muita, mas ela procurava empenhar-se em fazer bem, aliás como sempre fez ao longo da vida.

Por essa altura começou a ter a saúde um pouco debilitada com frequentes infecções de garganta. Um dos seus irmãos médico acompanhou-a na operação que teve de fazer às amígdalas, mas ao regressar a casa surpreendeu tudo e todos, especialmente a mãe, que ficou admirada com a sua fortaleza: não se quis deitar a descansar, nem quis nada de especial para o jantar.

Em 1933 inicia a licenciatura em Ciências Químicas, coisa pouco vulgar e faz o curso entre 1934 e 1940 (com uma interrupção de 3 anos por causa da guerra).

A carreira que escolheu entusiasma-a e inclina-se para a investigação. Mas não faz dela uma «rata de laboratório»; tem uma vida social normal, com muitas amigas e amigos. Com 20 anos começou a sair com um rapaz, estudante de Química, pois ela pensava casar. Mas o seu temperamento era o oposto do “quadriculado” e Carlos, o hipotético noivo era, no seu dizer: “Tão perfeito, tão perfeito, é demais!”.

Guadalupe e toda a família tiveram de sofrer muito com a guerra civil espanhola: o pai é acusado de traidor e apesar dos esforços de indulto é condenado. Com 20 anos Guadalupe, no dia 7 de Setembro de 1936, acompanhou o pai até à madrugada do dia 8 de Setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora – na Cadeia Modelo de Madrid, onde foi fuzilado e aí foi patente a fortaleza espiritual de Guadalupe.

Começa o ano de 1944 e algo muito importante vai mudar na vida de Guadalupe. Um dia ao sair da igreja depois da Missa, encontrou um amigo – Jesus Serrano de Pablo, a quem confidenciou: preciso de falar com um sacerdote.

Jesus Serrano deu-lhe o telefone do P. Josemaria Escrivá. Prontamente telefonou e foi-lhe marcado um encontro com o Fundador do Opus Dei no único centro de Madrid, onde residiam as primeiras mulheres que já seguiam esse caminho novo dentro da Igreja, em celibato.

Guadalupe foi directa ao assunto: “Que tenho que fazer com a minha vida?” O sacerdote replicou-
-lhe: “Que queres de mim?” Ela disse-lhe: “Creio que tenho vocação”. P. Josemaria olhou-a e respondeu: “Isso não to posso dizer. Se quiseres posso ser teu director espiritual, confessar-te e conhecer-te”.

Curioso. Tudo se passou no dia 25 de Janeiro, dia da Conversão de
S. Paulo, quando lhe caíram dos olhos “as escamas”, que o cegaram no encontro de Damasco. Também Guadalupe apesar de ter fé não era especialmente piedosa. Tem 27 anos, participa num retiro de 12 a 17 de Março; a 19, Solenidade de São José, Guadalupe pede a admissão no Opus Dei.

Um dia, o Padre diz-lhe: “Como te chamas Guadalupe vais começar o trabalho apostólico no México (lembro que Nossa Senhora de Guadalupe é Padroeira do México). E assim foi. Conta a própria que saíram do aeroporto, levando a bênção do Fundador, a 5 de Março de 1950.

No México, fez-se mexicana, relacionando-se com todo o género de pessoas. Ainda regressaria à Europa, onde a esperava uma vida intensa de trabalho e uma longa doença. Pelas suas virtudes, a diocese de Madrid, iniciou em 2001 a sua Causa de Beatificação e Canonização. Proponho-me continuar a falar, no próximo artigo, desta mulher simpática, que deixou marca em todos os que a conheceram.




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