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Página dourada

Sara Moreira foi campeã da europa de 3.000 m em pista coberta, em Gotemburo (Suécia). Esta foi a décima medalha de ouro de Portugal em campeonatos da Europa de pista coberta, e a décima nona medalha no total, para o nosso país (7 de prata e 2 de bronze). Desta história dourada, em que Sara Moreira também escreve o seu nome, não podemos esquecer grandes nomes do atletismo nacional como Rui Silva (3 vezes campeão da europa, nos 1.500m), Naide Gomes (2 vezes, no comprimento), Fernanda Ribeiro (2 vezes na mesma prova de Sara Moreira, os 3.000m) e completam este rol restrito Carla Sacramento (1.500m) e Francis Obikwelu (60m).Esta é a sexta medalha de Sara Moreira em grandes competições internacionais (1 de ouro, 4 prata e 1 de bronze).

Carlos Dias
8 Mar 2013

É evidente a importância que esta medalha tem para o atletismo nacional, para a atleta e para o seu clube, mas o grau de importância cresce quando se percebe que a história recente de Sara Moreira não foi muito fácil. Em 2011, Sara viu-se envolvida num caso estranho de doping, do qual fez prova de inocência, mas ainda assim foi condenada com seis meses de castigo, hipotecando a sua presença nos mundiais de atletismo. Depois por um erro burocrático viu manchada a sua participação no europeu. Esses episódios revelam o mais brilhante desta conquista dourada, que foi a própria lição de vida, e que dá maior valor à expressão de Confúcio: “A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim na forma como nos levantamos após cada queda”.
Dizer-se que foi fácil ganhar esta prova, tendo em conta a grande vantagem com que Sara conquistou o ouro, é falacioso. Mas foi notório que nesta corrida esteve patente a força anímica e a determinação em provar algo mais forte do que a competência desportiva. Só uma campeã e uma pessoa muito forte, emocionalmente estabilizada, confiante e determinada, consegue tamanho feito, depois de tudo pelo que passou.
Mesmo com esta conquista, fantástica, que enche de orgulho todos aqueles que gostam, apreciam e, até, amam o fenómeno desportivo, a nossa imprensa desportiva, que apenas, gosta, aprecia e, até, ama a cor do dinheiro, não deu o destaque que esta vitória merecia.
O jornal Público (por incrível que pareça, como sabem, de caracter generalista) foi o único jornal que deu verdadeiro destaque a este feito, com uma primeira página digna. Os nossos jornais desportivos, que têm mais a obrigação de abrir as portas ao DESPORTO, tiveram uma linha editorial assente no futebol, mais uma vez, com notícias sem grande importância, ou melhor, sem chegar aos calcanhares da conquista de Gotemburgo.
Os diretores dos meios de comunicação assumem e mencionam que este procedimento discriminatório é porque “querem vender jornais”, mas um dos meus maiores receios é que o interesse de “vender” um determinado produto deturpe a sua verdadeira função: informar.
De facto, os serviços dos Media não têm que resolver os problemas do desporto, mas têm a obrigação de informar seriamente, contribuir para a promoção da cultura plural e impulsionar, positivamente, o debate de ideias… informando e esclarecendo.
Tive o privilégio de privar alguns momentos com a Sara e o seu marido e treinador, e deixaram-me uma marca positiva de humildade e amor ao atletismo. Essa entrega teve agora a recompensa de uma página dourada, pena que nem todos reconheçam o valor que merece.




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