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Noite de exemplos

A noite de terça-feira foi para mim uma jornada inesquecível, com tudo quanto pude assistir no jogo da Champions League, Manchester United-Real Madrid. Não pela importância na história da Liga dos Campeões, mas mais pela vida do desporto, do futebol, da sua importância na formação sadia dos jovens e no respeito pelo adversário. Já repararam como Cristiano Ronaldo foi acolhido naquele regresso ao “Palco dos Sonhos”, a uma casa que abandonou há cerca de três anos? Foi inesquecível pela sua intensidade, pelo ambiente que pairava sobre o estádio, sobre quem jogava, sobre os treinadores, provavelmente os melhores do Mundo.

Luís Covas
8 Mar 2013

E por causa de Cristiano Ronaldo. Ele que tantas alegrias tinha partilhado naquele clube e naquela noite estava do outro lado da barricada. Os momentos aconteceram logo no aquecimento, quando Cristiano Ronaldo entrou e parecia ter dificuldade em respirar, tal a emoção, tal a certeza de estar a viver um momento único. Continuou depois durante os 90 minutos, com mais uma luta tática entre os dois treinadores, como na primeira mão, seguida dos golos, do cartão vermelho e da reação heróica do Manchester United, que obviamente merecia mais do que recebeu. Alex Ferguson entendeu muito bem a natureza do Real Madrid e em largos minutos das duas partidas conseguiu controlar o adversário. Mourinho aproveitou de forma magistral o que o jogo lhe deu, ao ficar em superioridade. Cristiano Ronaldo jogou os 180 minutos desta eliminatória de uma forma especial, assinou dois dos três golos da equipa, decisivo, portanto. Nestes jogos ficou também clara a extrema incapacidade do Real Madrid em gerir a desvantagem. O adversário parecia estar mais sereno em campo, e só depois de estar em superioridade é que conseguiu alguma supremacia, mas mesmo assim denotou dificuldades, aliás manifestadas por José Mourinho no final da partida e da eliminatória (“… onze contra onze dificilmente ganharia este jogo”, referiu). No entanto, a noite continuou diferente depois do último apito do árbitro, com José Mourinho a reconhecer qualidade do trabalho do adversário e a dureza do desfecho da eliminatória e Cristiano Ronaldo a confessar a emoção e, ideia curiosa, a aceder que sim senhor, jogar contra o Manchester United foi doloroso. Doloroso foi também assistir à reação dos jogadores ingleses, já que pelo seu fair-play, deveriam ter evitado rodear o árbitro no final da partida, mas não será humano sentirem-se injustiçados com a expulsão de Nani? Apesar de tudo as coisas mantiveram-se dentro de limites civilizados. Os protestos foram veementes, duros, sem sombra de elegância, mas ainda assim decentes. O único ponto negativo desta história é ela ser encarada como exceção, quando o futebol é (devia ser) exatamente aquilo: um combate até ao fim, memorável, construído sobre as forças de cada um e suportado no respeito pelo adversário, presente em cada momento do jogo. Em contraste tivemos no passado sábado o regresso de Liedson a Alvalade, ele que se tinha despedido em lágrimas, foi contemplado com uma receção indecorosa. Estas são as diferenças.
Creio passarmos demasiado tempo a olhar para as polémicas (elas existem) que envolvem os agentes do futebol e do desporto e com isso desperdiçamos exemplos como estes, que nos podiam ser útil a todos!




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