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Geração de partida

O verdadeiro capital da nação está de partida. O fluxo de jovens emigrantes é alarmante. A cada dia observamos licenciados, mestres e especialistas, nas mais inúmeras áreas, saírem de Portugal, e não é incomum ouvirmos amigos ou conhecidos falarem dos seus planos para partir. Não nos é de todo estranho este tema e, cada vez mais, o ritmo de check outs dados pelos jovens a Portugal é imenso, e os meus amigos não me deixam mentir.

Ricardo Gomes
5 Mar 2013

Vamos a factos: as primeiras gerações com a melhor formação estão de saída e o Governo dá-lhes um empurrão. Contraditório? Não! Estão assim criadas as condições para o aumento assustador destas partidas. Surge então, aqui, uma questão: irão estes jovens regressar?
Para esta pergunta ainda não temos resposta. O certo é que eles sentem-se bem lá fora, pois são reconhecidos pelo seu valor e, acima de tudo, têm possibilidade de progredir na carreira. A nível pessoal isto torna-se algo realmente enriquecedor, também encarado como um desafio a ser conquistado. E certamente é. Trata-se de jovens, altamente qualificados, que querem ser bons naquilo que fazem. E não é que são mesmo?
Por aqui o nosso Governo fica à espera que alguém lhe diga o que tem de fazer com os seus jovens. Disponibiliza formação altamente qualificada, mas no entanto fica-se por aqui, sem qualquer tipo de interligação direta entre universidades e o mundo de trabalho. O conto de fadas para a maioria dos recém-licenciados termina cá em Portugal. O que vou fazer quando terminar o curso? Será que vou ter trabalho? Irei trabalhar na minha área? Penso que as respostas a muitas destas questões já as conseguimos obter ainda antes de terminar os estudos, isto é preocupante e certamente merece atenção. Será este tema tão tabu para o nosso Governo?
Só não vê quem não quer. Têm excelentes jovens à vossa frente, motivados e desejosos por trabalhar e para demonstrar que é com eles que se trilha um caminho para um país mais rico.
Estes jovens são bons e têm muito para dar ao desenvolvimento futuro do nosso país. Só querem é oportunidades. Penso que não é difícil chegar a esta conclusão. Fica um apelo às empresas em geral, e em concreto às empresas locais: abram os olhos para estes diamantes em bruto.
Potenciem possibilidades e oportunidades, e nós, jovens, dar-vos-emos a resposta: trabalho e empenho.
Somos provavelmente a geração com mais formação e, ao mesmo tempo, a geração com maior nível de desemprego. As contradições são
realmente imensas. Além de tudo isto esta emigração pode, em muitos casos, não ser apenas temporária. O alerta está lançado. Temos jovens que são excelentes profissionais, com provas dadas e com capacidades incríveis a abandonar o nosso País! Isto é mau demais para ser verdade. O País só fica deficitário com isto: envelhece, atrasa, não inova.
Não tenho a menor dúvida que estes jovens irão dar cartas lá fora. E como jovem cidadão de Braga, sinto-me na obrigação de deixar um apelo ao próximo executivo da Câmara Municipal, que coloque este tema como a sua prioridade, isto é, se queremos continuar a ser a cidade mais jovem do país.
Por fim, declaro a minha admiração por estes jovens. E todos devemos reconhecer a luta que estes travam pois, apesar de todas as adversidades, temos a certeza que irão elevar o nome de Portugal além fronteiras.




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