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A Passos o que é de Gaspar e Portas

Escrevi primeiro “A Passos o que é de Passos”, mas fica para apresentar depois. A história do confronto com os seus adversários socialistas, Sócrates primeiro e Seguro depois, ainda não terminou, pelo que não fica prejudicada a oportunidade da crónica com tais intervenientes nas próximas semanas. Agora, mais por se falar nisso, o assunto em título dramatizará as colunas que me foram disponibilizadas nesta terça-feira.

Luís Martins
5 Mar 2013

Gaspar e Portas, cada um no seu pelouro, têm causado dano bastante a todos nós, mas preparam-se para acentuar a tareia. Um, bem decidido (talvez obcecado) desde cedo nos sacrifícios a aplicar, e outro, aparentemente pouco receptivo às medidas de austeridade (só no início), tem sido conquistado pelas circunstâncias. Gaspar foi sempre muito mais voluntarioso, creio que por convicção, ao contrário de Portas, mais discreto ao princípio, mas empolgado nos tempos mais recentes quando a questão da sua sobrevivência política lhe bateu à porta.
Gaspar e Portas têm luz verde, ao que parece, para riscarem da despesa do Estado os famosos quatro mil milhões de euros. Escrevo o enorme algarismo, com todos os dígitos, para melhor compreensão: 4.000.000.000 €. É a soma que pretendem retirar da despesa do Estado, de forma permanente, em dois ou três anos. A luz verde significa que estão a trabalhar sem condições prévias, assumindo o primeiro-ministro a despesa (política, claro) pelas medidas encontradas para sanear os orçamentos do país, a começar pelos de 2014 e 2015, embora a fase de experimentação possa iniciar-se ainda este ano. Uma comparação se proporciona: compramos um carro e podemos pagá-lo em suaves prestações, em quatro, cinco, seis ou mais anos; ao contrário, obrigam-nos a amortizar aquele valor astronómico em dois ou três anos!
Exactamente. Não pode deixar de ser assim, dizem-nos. A dupla está a trabalhar por conta do Governo. Passos é o chefe e, como tal, responsável por todas as medidas e iniciativas tomadas ao nível dos ministérios e grupos de trabalho do Governo. Não se pode descartar, por isso, de nada que venha de titulares das pastas ministeriais. Se não concordar manda retirar e se não for retirado tem de retirar o ministro. Se não acontecer assim é porque concorda. Passa a ser obra dele. Isto tanto vale para o bom como para o mau ou assim-assim.
Gaspar, continuará a assentar a dose de austeridade nos resultados que encontrar no modelo que construiu na sua folha de cálculo, sem que ninguém, como de costume, se lhe oponha. As políticas de crescimento continuarão adiadas para melhor oportunidade. Apurados os cortes, que trarão mais austeridade, e sem equidade na distribuição, Passos é que deve ser responsabilizado, como não podia deixar de ser. É assim em qualquer parte do mundo e Portugal não será excepção.
Portas, por seu lado, há-de apresentar as medidas que respeitem à função pública. Há muito que se percebe que o número três do Governo lhe quer dar uma machadada de respeito. Que se cuidem os funcionários públicos, pois é por aí que Portas quer encontrar solução para a diminuição da despesa. Naturalmente, como isso não bastará, terá de propor outros cortes, também nas prestações sociais, mas aí não quererá fazê-lo senão em parceria. Que enorme distância vai entre o discurso do CDS-PP naquilo que foram as promessas eleitorais e a prática governativa! Quando tudo ficar decidido, há-de ser Passos o responsável.
O cargo de Primeiro-Ministro é para o bem e para o mal. Só que, no caso, como se fará talvez mais mal do que bem, quem ficará a perder será Passos. O Ministro das Finanças será convidado para um alto cargo comunitário ou para a administração de uma entidade bancária. Portas sobreviverá do desastre que será a governação que nos está a empobrecer mais do que proporcionalmente. Pedro Passos Coelho ficará na história pelas piores razões, não pelas promessas que fez, mas pelas medidas que o seu Governo tomou. Haverá sobretudo recessão e manifestações para recordar.




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