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A Carta

A impopularidade deste Governo, devido às medidas de austeridade, está a provocar uma forte onda de contestação que vai procurando substituir a legitimidade democrática das urnas, pelas palavras de ordem ao seu derrube. E os recentes episódios de afrontamento, a cada membro do governo, com manifestações, algo curiosas «mas, de mau gosto», devido aos insultos e símbolos macabros, que vão fazendo jus aquilo de que já ouvimos falar – interromper a democracia – penalizando o governo, em termos de liberdade de expressão.

Narciso Mendes
5 Mar 2013

O que faz recordar, a quem viveu os primórdios do 25 de Abril, “o sequestro” de que foi vítima toda a AR, bem como o Almirante Pinheiro de Azevedo, Primeiro-ministro, cercado e ameaçado ofensivamente.
Com o decorrer destas contestações nota-se, nitidamente, um “arzinho” de satisfação, na oposição, para reunir ideias que se contraponham às governamentais. Isto, juntamente com a falta de pontaria do governo para acertar no alvo das metas, que não tem atingido, faz com que ganhe corpo a ideia de que de pouco terão valido os cortes infligidos sobre os cidadãos, o que dá um manifesto capital de argumentação, sobretudo para ao maior partido da oposição. De tal forma, que levou o líder do PS junto da “Troika”, a fim de que esta reconhecesse que, neste momento, as medidas não têm resultado. Só que os seus membros, (embora concordando com a tese de que existe, já, muita gente no limiar da pobreza e sem perspectivas de uma vida melhor), não conseguem ignorar os «frios e avassaladores números» da realidade financeira em Portugal. E é a partir daí que, juntamente com o último relatório (pedido) ao FMI – de que temos empregos e gorduras a mais no estado – que não nos alimentam a ilusão de que irão alterar a sua postura em relação aos financiamentos em curso, propondo que “aguentemos”.
Já antes, e com tantos trunfos “à vista” para serem usados pelo PS, o seu líder, António José Seguro, numa cena de protagonismo político, não resistiu a decidir encetar diligências junto das instâncias internacionais, alertando-as para o difícil panorama português, por entender que as medidas impostas a Portugal não estão dar resultados profícuos. E foi nesse sentido que dirigiu, igualmente, uma carta à presidente do Fundo Monetário Internacional, na qual explanava as mesmas preo-
cupações. E a resposta não se fez tardar dizendo que sim senhor: «comunga das mesmas preocupações mas… Deverá continuar a ser feito o ajustamento orçamental, para dar resposta aos desequilíbrios macroeconómicos, e colocar as Finanças Públicas Portuguesas numa situa-
ção sustentável, pelo que espera continuar a contar com o líder socialista para apoiar as reformas no país».
Ora, o que Seguro gostaria de obter, nada conseguiu. E então sobre o corte dos quatro mil milhões, imagine-se a “mossa” que, o silêncio da senhora, terá provocado no homem. Porém, se interpretasse bem essa omissão, propositada, entenderia o que lhe estará subjacente. É que Christine Lagarde não ignorou, certamente, que o líder socialista – na oposição – também embarcou na “aventura” de Sócrates aplaudindo o desenfreado despesismo do seu governo, que nos deixou à beira da penúria.
No entanto, não se pense que o recado foi só para Seguro, pois nele está implícito que o FMI não brinca em serviço, nem aprecia manobras de pura demagogia. Alerta também Passos Coelho, para o facto de ser imprescindível continuar com as reformas, para que as avaliações sejam positivas, caso contrário ainda nos arriscaremos a “ser lixados pela Troika”.
De qualquer forma, de uma coisa nos teremos de convencer, «sobretudo os políticos a candidatos», é de que o dinheiro fácil acabou e que, para o conseguir, de pouco, ou nada, valerão cartas e manifestações, se não houver realismo e bom senso. E os políticos, jamais poderão cair na tentação de falar daquilo que o povo mais gosta de ouvir: «o prometimento de mundos e fundos», conseguindo assim o seu voto, mas afundando o país.




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