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Os idosos também são pessoas…

Ninguém por certo duvida do título deste texto e muito menos os mais velhos, aqueles que transitaram de regime, alguns eternos lutadores pela sobrevivência sempre disponíveis para recordar histórias de um passado assustador. Pois bem, são eles quem melhor conhece o valor do Estado Social, que viram nascer e ser jovem, que com ele aprenderam a ter direitos, um Estado que se preocupava finalmente com o seu bem-estar, saúde, alimentação, qualidade de vida e até uma pensão, que lhes permitiu até agora ajudar filhos e netos.

J. Carlos Queiroz
4 Mar 2013

Também é verdade cedo começaram a ficar preocupados com tanta fartura, até porque diziam, não entendiam como era possível haver dinheiro, obras e tanto despesismo, sem trabalho, com os terrenos abandonados e cada vez menos pessoas ocupadas no amanho das terras. Para eles era inevitável que tinha de haver um fim e seria mau. Começaram também a estranhar os discursos dos políticos que raramente falavam em dificuldades e muito menos em dias maus. Era tudo demasiado fácil para ser verdade, nunca ninguém havia enriquecido sem trabalho diziam eles. Era tudo muito estranho. O tempo, esse grande mestre havia de lhes dar razão,  tudo se complicou à medida que as disputas e os jogos de poder, deram lugar a acusações e o desemprego surgiu como um sinal  dos problemas económicos do país. Aos poucos voltaram a recear o futuro, mas ainda longe de imaginarem o que vinha a caminho. Depois de vários pacotes e jogos de poder, chegou alguém que prometeu arrumar a casa, respeitar os mais necessitados e dar aos portugueses uma vida digna e de esperança, para isso havia que falar verdade e resolver os verdadeiros problemas do país. Nunca a verdade chegou tão apressada e cheia de conteúdo, incapazes de governar o país os nossos políticos recorreram à Europa, pediram ajuda, assumiram obrigações num determinado quadro político imposto por um memorando. Finalmente a verdade surgia, clara e dura, implacável para os mais humildes, pobres, desempregados, reformados e pensionistas. Na verdade foram eles os primeiros a sentir a austeridade. Portugal recuou no tempo, na qualidade de vida e porventura no desenvolvimento e na cultura. De repente surgiram nuvens e aqueles idosos que viviam alarmados com os sinais que sempre temeram, voltaram por ironia do destino a ser vítimas de erros alheios, para os quais em boa verdade nunca contribuíram. Os idosos são pessoas, a maioria são reformados e pensionistas, que vivem dos rendimentos resultantes de carreiras contributivas longas e salários baixos, daí que as suas pensões não sejam também elas elevadas, porém aqueles que mais contribuíram para o sistema viram esse sacrifício agora premiado porque, este Governo entendeu que há pensionistas que ganham muito bem. Ironicamente  ninguém ousou dizer até hoje quem são os que ganham bem e como obtiveram essas reformas ou pensões. É fácil lançar em Portugal a suspeição, o difícil é depois corrigir o erro. Vivemos momentos dramáticos por muito que custe admiti-lo, a pobreza está a atingir grande parte das famílias, a classe média quase não existe e os que vivem bem são infelizmente poucos. Perante esta realidade a austeridade continua a ser palavra de ordem, os idosos sofrem cortes nas pensões e em muitos casos abdicam de tratamentos e de alimentação. Só não vê quem não quer, as próprias instituições de solidariedade apesar do seu esforço, reconhecem hoje a sua incapacidade em lutar perante o aumento permanente da pobreza. Os idosos tinham razão, o tempo das facilidades e do despesismo, mostrou a incapacidade dos nossos políticos para gerirem prudentemente e sensatamente o país. Agora que fazer! O governo está limitado e não quer conflitos com o poder económico, vai gerindo como pode através de impostos e cortes sucessivos, que aumentam a recessão, O elo mais fraco são os idosos e pensionistas, que não têm poder reivindicativo e é por aí que desenvolve a austeridade. Um erro e uma insensibilidade, que ninguém entende, uma necessidade apenas porque é fácil de gerir e não obriga a grandes estudos. Nunca os idosos foram tão maltratados, por certo muitos deles recordam agora e comparam, com os piores momentos da sua vida. As incumbências do Estado encontram-se plasmadas na Constituição e Portugal é signatário de Convenções Internacionais, onde os direitos humanos são referência,  mas a realidade parece cada vez mais, contrariar essas intenções, sendo preocupantes ou mesmo alarmantes, os sinais do aumento de pobreza. Os idosos também são pessoas e fazem parte da história e do país.




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