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Tudo aquilo que é doentio ou nefasto afecta-nos psicologicamente, deixando-nos num estado de agonia. Tem isto a ver com os comentários negativistas sobre a situação económica e social que nos entram casa dentro e caem em cima como chuva torrencial. A abundância de comentadores, alegadamente preocupados com a opinião pública, numa estreita união com os objectivos do crescimento das audiências ou venda de jornais, não deixam espaço livre de relaxamento e esperança.

Albino Gonçalves
4 Mar 2013

Dir-se-á que a política de esclarecimento social vai ao pormenor, e reforça através de um entabulado imenso de textos aquilo que – segundo a opinião pública – todos temos o dever de conhecer.
Urge que se diga – em abono da verdade – que muita imagística é difícil de mastigar pelos adultos, quanto mais pelas crianças sensatas e ponderadas; os retratos de morte, sofrimento e de dor vêm em catadupa a toda a hora, aliados aos escândalos e ao flagelo de uma crise imparável, permitindo que até os mais indefesos tenham acesso ao arrepio, ao medo e ao pesadelo.
Pode até haver um cenário especulativo e oportunista para com uma parte da sociedade mais vulnerável, tendo consequências muito graves quando a distorção da verdade choca com o direito e o dever pelo respeito da informação.
Da presunção à veracidade, quantas crianças não se aninham, hoje, depressa e bem, ao colo estreito de uma mãe, tão só porque têm medo daquelas cenas macabras, dadas como notícia? São decerto milhares as vítimas de imagens desconcertantes e insólitas… criadoras de um meio traumático. As imagens deviam ser triadas quando emitidas no espaço público e no tempo potencialmente convivido pelos adultos.
Mas se nos consciencializarmos de que tudo é necessário e vital para fortificar o crescimento do indivíduo e preparar para a cidadania, colocar-se-á uma questão considerada perfeitamente retórica. Por que é que só as imagens macabras e sofríveis chegam até nós, quando já temos um quotidiano tão exasperado, e por que não proporcionam outras tantas de informação de onde se inalem valores, princípios ou virtudes?
É triste constatar-se que tudo aquilo que permite medir forças e puxar o Homem para o mal, é fonte de informação especulativa, alimentando desmesuradamente o contexto do desânimo, da depressão, da indignação e do sofrimento.
Precisamos de mudar de mentalidade quando comunicamos com as pessoas, transmitindo-lhes sinais anímicos de combate ao indesejável, educando-as com o reforço conselheiro do apoio aliado à vontade de vencer tempos difíceis e sacudir a tristeza e as lágrimas escondidas e tão sentidas na “alma” de cada um.
Somos nós que devemos suprimir este período “diabólico”, minimizando as coisas terríveis, num mundo adormecido, indiferente, falido nos seus deveres sociais e institucionais.




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