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O grão de mostarda

Há coisas pequenas e até minúsculas, como existem as grandes e enormes. Basta reparar nos animais da terra, desde o inseto ao elefante, ou nos peixes do mar, desde o peixe-agulha ao tubarão. O mesmo se pode afirmar dos seres vegetais, como a semente da mostarda (a mais pequena das sementes no dizer do evangelho) até às sequoias da Califórnia. Prefiro falar das pequenas, como a semente da mostarda, não para “chegar a mostarda ao nariz” de ninguém ou para falar de sinapismos, para efeitos medicinais.

Manuel Fonseca
3 Mar 2013

É bom que aceitemos a nossa pequenez na vida e a debilidade das nossas forças e capacidades. Estamos sujeitos aos atritos deste mundo em constante evolução e aos imprevistos que surgem no nosso pequeno mundo.
Às vezes nutrimos grandes aspirações e podemos atropelar direitos de outras pessoas. E podemos não fazer aquilo que é mais digno, conveniente e consensual.
Os últimos anos, a nível nacional e político, têm sido de grandes perturbações e fracassos, porque os nossos políticos e governantes entenderam que podiam fazer tudo o que queriam, mudar as coisas do avesso, eliminar ou bloquear planos anteriores que apenas deviam ser equilibrados e ajustados.
A nível pessoal e religioso, é importante refletir sobre a nossa condição neste mundo. Estamos no tempo da Quaresma, que nos chama a atenção para a poeira do nosso ser, concretizada no início da quadra na cerimónia das cinzas. “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de voltar”
Tudo isto é um apelo à prática da virtude da humildade, que fica bem diante de qualquer irmão e sobretudo diante de Deus.
Esta introspeção não colide com a virtude da esperança que nos garante a final exaltação e imortalidade; e ainda a garantia da nossa confiança num futuro melhor, apesar das trevas do presente. A sociedade em que estamos integrados possui muitos homens dignos, justos e capazes e devemos colaborar para que saiam do anonimato e assumam as suas responsabilidades.
Cristo foi o grande Mestre da humanidade. Ensinou uma doutrina que não passou pelos trilhos de altas teorias ou filosofias, mas que desceu ao concreto da vida e da natureza e delas tirou as maiores lições para a humanidade dos tempos que lhe seguiram nos caminhos da vida, não fosse a natureza obra do Criador.
São por demais conhecidas as parábolas, nomeadamente a do grão de mostarda, para nos ensinar que as coisas começam pequenas e que as grandes são fruto de muito trabalho, coragem, inteligência e tempo.
A fé também ajuda a pôr um selo de autenticidade e garantia. É uma luz interior que nos abre horizontes para o decurso da vida e para além dela e nos apela para deveres e obrigações que devemos cumprir e vivenciar.




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