Fotografia:
Um olhar em redor

Escrevo há bastante tempo, procurando sempre expressar-me naturalmente, tal como respiro. Nunca, porém, num espaço tão consagrado como este que o “Diário do Minho” me tem concedido, diga-se de passagem, sem desprimor relativamente a outras publicações cujas colunas também já ocupei. Uma vez que assim é, como digo, importa que a “respiração”, neste caso, seja ela mesma saudável, não entrecortada, ofegante, ou seja, sem ofender a gramática, as regras deste nosso tão belo e tão rico idioma. Caberá no entanto ao leitor, juiz soberano nestas matérias, proferir o seu veredicto, após uma apropriada e competente auscultação ao texto em apreço.

Joaquim Serafim Rodrigues
2 Mar 2013

Estes meus escritos, abarcando os mais diversos temas – breves clarões do pensamento se preferirem – são especialmente destinados àqueles leitores amáveis e compreensivos, cuja formação moral lhes permite resistirem a esta onda de materialismo envolvente, avassaladora, que nos cerca e parece caracterizar cada vez mais a época em que actualmente vivemos.
Com efeito, não podemos deixar de sentir um grande constrangimento, um certo desencanto até, face ao nenhum apreço em que são tidos, entre nós, todos aqueles que, devotadamente, se empenham nos domínios da ciência e da cultura em geral, a par de um enorme desrespeito pelos princípios fundamentais da justiça, do direito e da razão, sobressaindo no dia-a-dia o protagonismo da força, da violência gratuita e das proezas daqueles para quem a honestidade, o carácter e o civismo constituem palavras vazias de sentido e sem a menor cotação nos tempos actuais.
Vive-se, presentemente, e sofre-se!, como que um clima de grande egoísmo, assistindo-se também à derrocada progressiva de alguns daqueles padrões de comportamento pelos quais nos batíamos antigamente, tais como: o escrupuloso desempenho de um cargo uma vez nele investidos, a lhaneza no trato como norma e não como excepção, a lealdade, a competência, o respeito pela palavra dada, a consideração devida aos mais velhos e às crianças (que agora não podem ser deixadas sozinhas na rua quer brincando quer vindas da escola), o são convívio, enfim, com os amigos nas horas vagas.
Contudo, perante este quadro que nos entristece e confunde, impõe-se que procuremos um abrigo seguro onde possamos fruir de alguma “paz interior”, pondo cobro de vez em quando a este tumultuar dos nossos sentimentos tão rudemente postos à prova, sendo que em tais circunstâncias, e no caso particular do autor destas linhas, os meros desabafos que aqui ficam são já suficientes com vista ao almejado equilíbrio emocional tão necessário. Assim o leitor comungue também…
Não desesperemos, entretanto, pois este “Povo que Lava no Rio, Que talha com seu machado As tábuas do seu caixão, Pode haver quem o defenda, Quem compre o seu chão sagrado, Mas a sua vida, não!”, adaptando aqui, ao meu texto, o genial poema de Pedro Homem de Mello, doloroso e pungente.
Um povo assim, prezado leitor, há-de por força vencer esta crise sem precedentes, mau grado a incompetência de quem nos tem governado desde há muito e, como consequência, a sujeição actual e humilhante a uma troika sem contemplações, bem à medida de uma União Europeia prepotente, que falhou por completo no tocante aos pressupostos que estiveram na origem da sua criação. Apenas um exemplo gritante: a Alemanha, que se permite (e a deixam) ditar leis impondo condições económicas insuportáveis a países como o nosso, não pagou ainda, até hoje, as suas dívidas de guerra relativamente àquela que provocou e durou 6 anos (1939/1945), com todos os seus horrores e destruições. Poderá manter-se, por muito mais tempo, esta situação? Ou me engano redondamente mas presumo que não. É só esperar.




Notícias relacionadas


Scroll Up