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Tradição – Magistério – Sagrada Escritura

Cristo não é um fundador de nova religião, nem o cristianismo é uma “heresia” do judaísmo. Os Apóstolos e os discípulos continuaram frequentando o Templo e seguindo os rituais ali celebrados, até mesmo após a Sua Morte, Ressurreição e Ascensão (Lc 24,53; Act 2,46; 3,1) bem como após o Pentecostes (Act 2,46; 3,1…). Compartilhavam da “visão” de Jesus de que o cristianismo é o “cumprimento” do judaísmo, o seu ponto de chegada.

Maria Fernanda Barroca
2 Mar 2013

“Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim abolir mas cumprir. Em verdade vos digo: até que passem os Céus e a Terra, nem um só jota ou um só til da Lei, passará, sem que tudo se cumpra (Mt. 5, 17-18).
Entretanto, os primeiros cristãos não conheciam o Novo Testamento tal como se conhece hoje. Quando muito haviam alguns manuscritos destinados apenas a registar as pregações locais. Os cristãos de Roma, por exemplo, conheciam a pregação de Pedro e, possivelmente, conheciam também uma ou outra das cartas de Paulo (2 Pe 3,15-16). Vê-se facilmente que os escritos actuais dos Evangelhos são verdadeiramente o registo da catequese de então, a primeira expressão da Tradição Apostólica, aqueles que foram escolhidos e aprovados entre tantos outros.
Diz Lucas no começo do seu Evangelho: “Já que muitos empreenderam concatenar uma narração dos factos que entre nós se consumaram, conforme no-los transmitiram os que desde o início foram testemunhas oculares e viveram a ser ministros da Palavra, resolvi eu também, que tudo investiguei cuidadosamente desde a origem” (Lc. 1, 1-3).
A Tradição de que falamos aqui é a que vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo. De facto, a primeira geração de cristãos ainda não tinha um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento testemunha o processo da Tradição Viva” (Catecismo da Igreja Católica, 83).
“Por isso, a pregação apostólica, que é expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos. (…) Esta Tradição, oriunda dos Apóstolos, progride na Igreja sob a Assistência do Espírito Santo…” (Constituição ‘Dei Verbum’, Conc. Vat. II, n.º 8).
Informa Papias que o primeiro Evangelho foi escrito por Mateus em aramaico, que o destinou aos judeus. Vieram outros, inclusive a tradução dele para o grego popular de então, que não eram ainda tão difundidos, nem faziam parte de um cânon definido pela Igreja. Somente algumas comunidades tinham uma espécie de compilação mais ou menos aleatória, ao que tudo indica, e não ainda de forma sistemática como hoje.
“Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (‘Dei Verbum’ 8,3). Esta lista completa é denominada ‘Cânon’ das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se contarmos Jeremias e Lamentações juntos) escritos e 27 para o Novo (Catecismo da Igreja Católica, n.º 120).
Da mesma forma que então, porque inexistente, para os católicos ainda hoje, “só a Bíblia” não é, nem pode ser, o único fundamento para a fé, eis que não se partiu dela para o que se crê. O que nela se compôs foi o então ensinado pelos Apóstolos. Por isso, fundamental ainda lhes é o conjunto formado por: Tradição + Magistério + Escritura.
“Fica portanto claro que segundo o sapientíssimo plano divino a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal maneira entrelaçados e unidos, que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (Constituição Dogmática ‘Dei Verbum’, 10).
A Sagrada Escritura devia ser o «livro de cabeceira» dos católicos. Uma senhora que queria ajudar o filho a regressar à prática religiosa, em que tinha sido educado, disse-lhe: toma lá a Bíblia. Resposta (desconcertante): Ó mãe, isso é para os evangélicos!




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