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Bento XVI – Uma esperança que vá mais além

No percurso de padre a cardeal, Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, foi professor de filosofia e de teologia em várias escolas superiores da Alemanha, até chegar a professor catedrático na Universidade de Ratisbona, também na Alemanha. Antes da sua eleição como Papa Bento XVI, em 19-04-2005, escreveu diversos artigos, pronunciou várias conferências e publicou muitos e importantes livros, nomeadamente “O Sal da Terra”, em 1996, e “Na Escola da Verdade”, em 1977.

Renato Córdoba
2 Mar 2013

Considerado um dos maiores pensadores do século XX e inícios do século XXI, o Cardeal Joseph Ratzinger recebeu doutoramentos honoris causa pelo Colégio de S.Tomás, de St. Paul, Minesota, Estados Unidos da América, em 1984, pela Universidade Católica de Eichstatt, Alemanha, em 1987, pela Universidade Católica de Lima, Peru, em 1986, pela Universidade de Navarra, Pamplona, Espanha, em 1998, pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta, Roma, Itália, em 1999, e pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw, Polónia, em 2000.
A formação e o caráter de Joseph
Ratzinger, consolidaram-se a partir de duas correntes de pensamento, de certo modo antagónicas, predominantes na Europa, nomeadamente na Alemanha, nos inícios do século XX – o criacionismo e a fenomenologia e o positivismo e o evolucionismo. Estas últimas, positivismo e evolucionismo, sustentadas pelo iluminismo que pretendeu, sem o conseguir, compreender o homem na sua totalidade, foram muito incentivadas, também, por correntes de pensamento, claramente materialistas, que emergiram a partir da Revolução de Outubro, de 1917, na ex-União Soviética.   
Deste modo, a profundidade do seu pensamento e a sua enorme sabedoria, na minha humilde opinião, expressam-se em duas dimensões principais – o Homem e a ciência e o Homem e Deus. Sendo estas duas dimensões misteriosas, dado as suas premissas, a capacidade de reflexão e de pensamento de Joseph Ratzinger parece inesgotável, parece que ao lermos alguns dos seus textos ou livros somos impelidos para o infinito dentro do finito ou vice-versa ou para a busca permanente do transcendente com o auxílio da razão.
Há uma enorme falta de esperança no mundo contemporâneo. Isto porque, face às muitas esperanças sobre as quais construímos a nossa vida, temos que ter o propósito e o sentido da razão que só Deus é a grande esperança do Homem e que o Homem tem necessidade de Deus. Em caso contrário, o Homem fica privado da esperança, na sua dimensão transcendental, e a sua vida acaba no desespero e no vazio. Pois, a vida esvaziando-se de sentido, a esperança torna-se perversa.
O Homem moderno, o Homem da arte, da técnica e da ciência terá de se consciencializar que não existirá nunca neste mundo o reino do bem definitivamente consolidado. A ciência contribui para o bem da humanidade, mas não é capaz de a redimir, ou de a libertar das suas angústias, dor ou sofrimento.
O Homem tende a buscar a redenção na ciência, no progresso, na economia e na política. Porém, tudo isso deixa sempre um vazio incapaz de dar um sentido virtuo-so e satisfazer a esperança humana, que só é plenamente satisfeita por um “amor absoluto” que nem sequer a própria morte pode abalar.
Por tudo isto, penso e tenho a certeza que o Papa Bento XVI ao abdicar da cadeira de Pedro não abdicou da Santidade. Cadeira esta que é o símbolo e que representa toda a Igreja, instituída por Jesus de Nazaré, da qual o primeiro ocupante foi S. Pedro.
Bento XVI é um Homem com uma enorme fé em Deus e com uma enorme esperança. Esperança que vá mais além?
Com toda a sua sabedoria e humildade, penso ainda que, neste tempo e agora, Bento XVI, com a sua oração e com a sua meditação, quer dizer e sensibilizar os Cristãos que a Santidade está, mas não exclusivamente, na cadeira petrina.




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