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Pausas da vida

“O homem, durante o percurso da sua vida, deve cultivar em si a capacidade de amar e de desprezar. De amar as grandezas da alma; de desprezar as baixezas. Nesse caso, reconhecendo-se, ganha a estima de todos”. (In “opiniões que valem, n.º 34”, de A.S.)Envelhecer é lei natural da vida. Porque há vida, houve nascimento e este, a partir dessa evidência, caminha para o fim, cumprindo-se desse modo a lei: da vida, da natureza.

Artur Soares
1 Mar 2013

A natureza – e Deus através dela – dão ao homem o necessário para que se cumpra a sobrevivência: a saúde, prémio ou oferta que proporciona a quem cumprir as suas leis. E como se sabe e se sente, o homem (matéria) na caminhada que deve amar e respeitar, tem as suas pausas – por vezes próprias dos percursos – e arranques de harmonia com suas forças, vontade, persistência.
O homem tem as pausas da vida como tem as menopausas, andropausas, eletropausas, entre outras diversas pausas. Mas tem obrigação, o homem, em cada dia no caminho do seu envelhecimento, de procurar a alegria, o otimismo e provocar o bom ambiente no e ao redor do espaço em que vive, para enriquecer cada hora vivida e ser feliz até ao fim, uma vez que saído do útero materno tem de acabar no útero da terra e, o espírito, voltar (bem) para Deus que o deu.
E se a natureza do homem é envelhecer e terminar, obrigação tem também de ser e explorar os dons que Deus lhe distribuiu para seu bem e bem dos outros. Desse modo, é indispensável que o homem seja e se sinta útil, que pense e organize toda a sua ação, por esta ser a única herança deixada, bem apreciada ou não.
A sabedoria torna as pessoas mais atraentes, ainda que o tempo sulque a pele e traga as marcas da velhice. Então, e como envelhecer é ter muitos anos ou muita juventude pela frente, é importante saber sempre mais e perguntar diariamente, o homem a si mesmo, que fez ou fará pelo mundo, com o poder e dons que Deus lhe deu; que fez ou fará pelos seus semelhantes, de modo especial pelos mais débeis nas suas diversas necessidades; que tem feito ou que faz para servir Deus através dos outros; que faz ou que deixará feito, digno de si mesmo ao mundo; de se interrogar – porque só os fortes admitem as suas falhas e fragilidades – se os que vivem à sua volta são felizes e, inclusivamente perguntar-se “sou o que pareço?, por as ações do homem serem os seus únicos pertences, das quais nunca escapará ao julgamento da sociedade e, de Deus também.
Acredita e defende o Mundo que só terá valor, aquele que durante a vida fez um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore.
Nos tempos que passam e verificando-se que a velhice se abeira mais tarde do homem que há uns anos atrás, pode, por isso mesmo, o homem fazer mais que um filho, um livro ou a plantação da árvore.
E se fisicamente mais não poder fazer na velhice, desde que bem cerebralmente, pode recomendar/
/pedir ao Criador:
Senhor do Universo premeia os que entendem que meus olhos estão nublados, meus passos vacilantes, minhas mãos trémulas e as minhas reações lentas; os que aceitam a minha surdez falando-me mais alto e pausadamente; os que sorriem e conversam comigo, sem nunca me avisarem “você já contou isso várias vezes”; os que me fazem sentir amado, tratando-me com respeito, com caridade e me ajudam a atravessar a rua; os que desviam o olhar, simulando não ter visto algum café caído na mesa ou as nódoas visíveis na frente da camisa ou no pulôver durante as refeições; premeia os que me amenizam os últimos anos e transmitem coragem para aguentar a minha cruz; os que recordam e me fazem pensar em Deus… porque, quando entrar na Eternidade, junto do Criador, lembrar-me-ei de todos. Meu Senhor e meu Deus, que todo o homem, velho ou não, Te saiba dar, porque dando-Te dá Tudo e com Tudo fica!
Para o profano a velhice é inverno; para o sábio é a estação da colheita.
Sendo assim, “a velhice é o preço de se estar vivo”. Importa portanto, que cada homem não faça da sua vida, da sua existência um rascunho, pois pode não ter tempo de passar tudo a limpo.




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