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Outro Ponto de Vista…

No momento em que escrevo esta minha crónica aproxima-se o momento escolhido por Sua Santidade o Papa Bento XVI de renúncia ao desempenho do seu cargo. Neste tempo de despedida serena, lúcida e interpelante ocorreu-me compartilhar um episódio com significado pessoal que me liga a este nosso Papa. Aquando da 1.ª visita de João Paulo II a Portugal, nos idos anos de 1982, desdobrei-me em pedidos para conseguir estar o mais próximo de Sua Santidade. O mais perto que fiquei foi a cerca de 1 km.

Acácio de Brito
1 Mar 2013

Em 2010, na visita do Papa Bento XVI, novamente recorri a pedidos imensos e fiquei mais próximo, a cerca de 500 metros.
Assisti à última missa nos Aliados e foi no decorrer da mesma que soube que iria ser novamente Pai.
Em jeito de homenagem, interiormente decidi que se fosse rapaz seria Matias, em virtude da celebração ter sido no seu dia.
Os tempos passaram e em vez de Matias, nasceu a Beatriz!
Que no seu significado etimológico “vem trazer bem ao mundo”!
Adiante.
Por altura da comemoração do meu aniversário, o 50.º, fui prendado com uma viagem a Roma. Que ocorreu no fim de semana alargado de outubro.
Visita à cidade e paragem obrigatória no Vaticano, com as visitas da praxe, ao Museu, à Basílica, e constato movimento anormal com preparativos para a Missa de Domingo a ser celebrada na Praça de S. Pedro.
No domingo, em traje e modos de turista peregrino, ao chegar ao Vaticano, permito-me dar um pequeno passeio pelas redondezas.
Verifico, então, uma entrada lateral em que algumas pessoas, poucas, iam entrando.
Aproximei-me, deram-me uma pequena brochura e fui entrando… Passei por um controlo de armas, metais e fui entrando!
Eis senão quando estou principescamente sentado, na Praça de S. Pedro defronte ao altar em que está a presidir Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Inacreditável! Inimaginável!
O Papa tão próximo e eu olhando de soslaio para todo aquele povo que o aclamava.
O que me aconteceu foi um acaso, mas foi um acaso com cheirinho de sorte divina.
Nem eu sabia que me estava a despedir de um Papa que, no seu magistério de cultura impregnada de uma fé profunda, muita falta irá fazer a este mundo impregnado de um relativismo que só o destrói.
Apesar da saudade que já sinto, porque este é o meu Papa, pelo menos foi o único do qual estive tão próximo, bem sei por obra de um acaso, para mim santo, sei que no retiro da sua oração intercederá junto do Pai por um mundo melhor, mais humano, autêntico e por mim.
Obrigado Bento XVI.




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