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“Hooliganismo” à moda de Braga

Quando, nos primeiros dias deste ano de 2013, alertei nesta coluna para os perigos que poderiam advir da implementação da nova legislação sobre o policiamento nos recintos desportivos, estava longe de imaginar que, a tão breve prazo, os distúrbios no futebol chegassem ao ponto a que têm chegado nas últimas semanas. E as “claques” do Sp. Braga, infelizmente, têm estado no topo desses distúrbios, com atos de vandalismo absolutamente condenáveis – o último dos quais ocorrido anteontem à noite, após o encontro com o Benfica para a Taça da Liga. Segundo as notícias que vieram a público, vários (e enormes) pedregulhos foram lançados para o autocarro da equipa “encarnada” – só “por milagre” não havendo ferimentos graves ou até mortes…

Pedro Álvares de Arruda
1 Mar 2013

Este ato violento, numa noite em que os “nervos” nem sequer estiveram à flor da pele (pois o Sp. Braga até venceu o Benfica e apurou-se para a final da Taça da Liga), mostra bem o quanto é “gratuito” o vandalismo que impera nas hostes de apoiantes do Sp. Braga – como, aliás, já havia acontecido aquando dos encontros com o Paços de Ferreira, com o Vitória B  e  com o Belenenses.
No caso da violência ocorrida no interior do estádio, por mais que os dirigentes do Clube bracarense “se façam de Inês”, a verdade é que são eles os responsáveis pela segurança dos espectadores, nomeadamente através de um acordo com as forças policiais no sentido de se evitarem atos gravíssimos como os ocorridos contra o Paços de Ferreira (a que os órgãos disciplinares da Liga se limitaram a aplicar uma singela coima…). Aliás, a coima aplicada ao Sp. Braga pelos distúrbios durante o jogo com o Paços, apesar de irrisória, chegava e sobrava para pagar a uma centena de polícias que garantissem, dentro do Axa e nas suas imediações, a segurança dos espectadores!
Já no que respeita a atos de violência semelhantes ao ocorrido anteontem contra o autocarro aonde viaja-
vam os futebolistas do Benfica, é evidente que as respon-
sabilidades do Clube “arsenalista” são menores. O que, na minha ótica, não quer dizer que sejam nulas. E não o são porque, infelizmente, tem sido dado apoio a “claques” cujos membros, mais do que estarem interessados em ver os jogos do Sp. Braga e em “puxar” pela equipa, sobretudo nos momentos de maior dificuldade, se limitam à arruaça, à provocação e… a vandalismos de arrepiar. Razão por que deveria o Clube deixar, de uma vez por todas, de “apoiar” esses grupos organizados de arruaceiros, nomeadamente não lhes facilitando a entrada no estádio (em “casa”), nem lhes proporcionando viagens para os jogos realizados “fora”.
E, já agora, por mais que o sr. Ministro da Administração Interna (que, por coincidência é de Braga) diga que a violência desportiva das últimas semanas não decorre das alterações à legislação, a verdade é que, ao deixar aos clubes a possibilidade de não requererem policiamento, “está a abrir as portas” a atos como os que se têm visto!




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