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Obrigado, António Salvador

Há coisas que são notícia, outras que não são e outras ainda que não deviam ser. Pensei, para o artigo de hoje, escrever sobre os vergonhosos acontecimentos dos últimos tempos em matéria de distúrbios entre adeptos. Mas não o faço por dois motivos: primeiro, porque isso nem deveria ser notícia, e segundo, porque me seria muito difícil escrever sobre isso sem usar palavras de português demasiado vernáculo para as páginas deste respeitável jornal. Aquilo já não é rivalidade… é outra coisa. Mas adiante… António Salvador completou há dias uma década à frente do SC Braga. Isto sim, é notícia.

Manuel Cardoso
28 Fev 2013

Podemos dizer, sem grande exagero, que na história do clube mais representativo da nossa cidade, há um período antes de Salvador e um outro, depois de Salvador.
Tudo mudou com esta administração. Em três níveis: resultados desportivos, financeiros e ao nível da adesão dos adeptos.
As crises administrativas desapareceram e com elas os problemas de défice crónico que nos obrigavam, sistematicamente, a fazer negócios de saldos. Hoje os nossos ativos são dos mais valorizados do futebol português. Ao nível da adesão dos adeptos, basta lembrar a meta há dias atingida dos 30.000 sócios. Isto, há dez anos seria absolutamente impensável. Como impensável seria termos uma média superior a dez mil adeptos em jogos da liga principal; nesses tempos só nos jogos ditos “grandes” ultrapassávamos os 4 ou cinco milhares.
Mas o mais notável e visível dos progressos deu-se ao nível dos resultados desportivos.
Na época em que chegou a presidente do Sporting de Braga, em Fevereiro de 2003, o nosso clube classificou-se num modesto 14.º lugar. No entanto, nas nove temporadas que se seguiram, o SC Braga conseguiu um segundo lugar, um terceiro, quatro quartos postos, dois quintos e um sétimo lugar. Em comparação, os nove anos antes de António Salvador deram ao nosso clube dois quartos lugares, um oitavo, quatro nonos, um décimo e um décimo quinto lugar. Não são necessários quaisquer comentários a estes números…
Ma há algo a acrescentar: duas presenças na fase de grupos da Champions League, uma presença na final da Europa League, vários jogadores sistematicamente chamados às seleções. Por toda a Europa, o nosso clube é hoje reconhecido como um exemplo de crescimento sustentado. A nível interno deixamos de ser o clube que esperava pelas dispensas dos ditos grandes. Pelo contrário, somos hoje um habitual fornecedor desses clubes mas obtendo como contrapartida excelentes proventos financeiros.
É claro que ainda nem tudo está feito. Temos ainda algumas conquistas a fazer: tornar o nosso clube um candidato habitual ao título nacional e, acima de tudo, obter a mesma credibilidade que os ditos “grandes” têm junto de quem, de facto, decide os destinos do futebol: os organismos dirigentes da Liga e Federação bem como a Comunicação Social, que teima em não querer ver o óbvio: que o nosso clube é já um daqueles a que eles, se conseguissem e quisessem ser isentos, chamariam um “grande”.
Obviamente, continuamos a contar com António Salvador e a sua equipa para atingir esses objetivos. Para já só podemos dizer: obrigado, António Salvador!




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