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Bento XVI: um conservador?

Hoje, a partir das 19h00 em Portugal (20h00 no Vaticano), ficará temporariamente vago o “trono” do Sumo Pontífice da Igreja Católica. Ao renunciar inesperadamente (?) à Cátedra de São Pedro – prefiro o verbo “renunciar” ao vocábulo “resignação”, porque Bento XVI nunca me pareceu um “resignado”! –, o Papa colocou o Vaticano “nas bocas do mundo”.

Victor Blanco de Vasconcellos
28 Fev 2013

Como por artes mágicas, levantou-se uma repentina e gigantesca onda de comentários laterais sobre essa renúncia, abordando questões inócuas, populistas e redundantes, a que os “media”, ávidos de sensacionalismos e de audiências, têm dado potentíssima amplificação. Crentes e ateus, cristãos e não cristãos, “laicos” e “agnósticos”, católicos “praticantes” e “não praticantes” (seja lá isso o que for…), todos têm feito o seu “comentariozinho” – a maioria destes destituída de substância ou de real pertinência para a Igreja e para a sociedade…
É verdade que houve alguns (poucos) comentadores e articulistas – honra lhes seja feita! – que aproveitaram a renúncia de Bento XVI para refletirem sobre o grande exemplo de coragem, de humildade e de desapego ao poder revelados pelo Santo Padre nesta tão simbólica decisão. Mas a esmagadora maioria dos comentadores preferiu verberar sobre banalidades ou, então, penetrar em assuntos complexos sobre os quais proferem sentenças que demonstram a sua confrangedora ignorância sobre tais matérias – como, por exemplo, quando acusam Bento XVI de ser um “conservador” (atributo que só está na cabeça de quem não lhe conhece o Pensamento teológico, ou de quem, conhecendo-o, opta deliberadamente por ocultá-lo).
Pena é, pois, que raros tenham aproveitado tanto “tempo de antena” dedicado à Igreja para divulgarem ao mundo – aos crentes e não crentes ­– o verdadeiro Pensamento do reconhecido intelectual e eminente teólogo que é Ratzinger/Bento XVI – Pensamento esse que deixou vertido nos livros que foi publicando ao longo de meio século, bem como nas encíclicas, homilias, mensagens e discursos que endereçou ao mundo nos quase oito anos de Cátedra petrina.
O seu “bom combate” intelectual contra o “cientificismo”, a sua pertinentíssima argumentação racional contra o dominante relativismo pós-moderno, a recolocação da Fé no plano do Transcendente, e a redefinição da Doutrina tendo por base o retorno à Fonte (Jesus Cristo e a sua Boa Nova)  – eis alguns dos aspetos relevantes em que Ratzinger/Bento XVI demonstra ser um teólogo e um Papa do “nosso tempo” (sim: do século XXI…).
Mas é óbvio que, para se perceber (e falar disto), é preciso ler-lhe a obra – e não falar apenas por… “ouvir dizer”!




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