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A lei da adversidade (II)

Ninguém pode viver sem se confrontar, de certo modo, com outros homens ou de, pelo menos, discordar deles quando se quer atingir objetivos pelos quais se luta convictamente. Para lá se chegar, tem de se abrir caminho por entre os indolentes, os indiferentes, os abúlicos e os conformistas, para os quais o sucesso é um crime. Do mesmo modo, temos de seguir uma via diferente da trilhada pelos gananciosos, desonestos, corruptos e violadores dos direitos humanos, sem nunca manifestarmos qualquer espécie de medo, mas, pelo contrário, convictos da nossa razão. As pérolas são segregadas pelas ostras, não porque estas sejam artistas criadoras, mas porque um grão de areia entrou na sua concha provocando-lhes desconforto.

Artur Gonçalves Fernandes
28 Fev 2013

A desgraça é, muitas vezes, a escola onde se adquirem as grandes virtudes, os corretos comportamentos e se formam os bons carácteres. O homem deve desenvolver uma força interior capaz de superar as vicissitudes da vida. Nunca se deve desejar a ninguém uma vida cheia só de prosperidades, mas sim de aventuras, lutas e desafios, porque estes são os ingredientes promotores de todas as pessoas ilustres. O homem moderno de negócios pode comparar-se, de certo modo, a uma ostra, ou seja, trabalha melhor quando é estimulado por alguma contrariedade ou desconforto no seu dia a dia em ordem à persecução dos seus objetivos. O grão de areia vai espevitar a sua ação a fim de a sua empresa progredir em direção à meta planeada ou prevista. A sua pérola pode, então, tomar vários aspetos: bons produtos, preços razoáveis e justos, empregos seguros, boa vontade dos funcionários, gerência competente e novos investimentos dos lucros para projetar, no futuro, uma expansão mais pujante. O mesmo se aplica a qualquer profissão. Os resultados serão extraordinários, quando se aproveitam as contrariedades para estimular a nossa atividade diária.
Goethe afirmou: “Eu tenho sido um homem, e isso significa ter sido um lutador”. É também na adversidade que conhecemos os amigos. Nessa altura a lista fica certa e assim saberemos se temos muitos ou poucos. Pensa-
-se que viver sem problemas ou sem dificuldades, a vida seria um sonho. Recorde-se que, muitas vezes, os tempos difíceis ou de grandes crises é que levam as pessoas a retomar o bom caminho que as poderá, em certa medida, reconfortar e reorientar. Todos nós temos de nos capacitar que, ricos ou pobres, vamos encontrar vicissitudes que teremos de vencer para singrar na vida. Sem luta não há sucesso. A luta é nossa amiga. Ela fortalece o nosso físico e a nossa mente, tornando-nos verdadeiros homens. O homem valente é aquele que vence as contrariedades com persistência e com discrição e se concentra na preocupação de viver como deve ser, sem sobressaltos, sem medo dos outros e sem respeitos humanos. Toda a gente tem, em qualquer fase da vida, contrariedades, maiores ou menores; ora, a maneira de as encarar e vencer é uma prova de convicção e de fé. Esta fé deve ser a bússola que nos deve orientar nas lutas da vida quotidiana. As dificuldades desafiam a energia e a perseverança. Elas chamam à liça as melhores qualidades do homem. As nossas gerações estão condenadas a viver num estado de crise permanente. Temos de cultivar a força e a serenidade interiores para salvaguardar a nossa integridade pessoal, a liberdade e a dependência nacionais e os valores universais. As contrariedades aperfeiçoam e enobrecem o carácter, aumentam a capacidade de solidariedade e de bem-fazer, que constitui uma das maiores virtudes humanas. São elas que fortalecem o homem no seu mais profundo recôndito mental.




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