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Paraquedismo político

De modalidade desportiva aérea o paraquedismo estendeu-se a modalidade política. E, aqui, com contornos difusos e, quantas vezes, alheios à lógica do senso comum. Em termos militares, toda a gente sabe, o paraquedista é treinado para se lançar de paraquedas em determinado local e, cumprindo as regras da surpresa e da firmeza, executar uma ação estratégica cuja finalidade, em teatro de guerra, é, quase sempre, capturar ou aniquilar o inimigo. Porém, em termos políticos, o paraquedista não se lança de avião ou helicóptero, nem captura inimigos e o seu único objetivo é arranjar uma ocupação, um cargo, em suma, um tacho.

Dinis Salgado
27 Fev 2013

Inicialmente circunscrito à esfera parlamentar (um cidadão lisboeta, por exemplo, que se candidata pelo círculo de Braga), agora, por força da lei de limitação de mandatos, há quem queira que se alargue à esfera autárquica. E, assim, um autarca que cumpriu três mandatos consecutivos numa determinada autarquia candidata-se a outro concelho, vizinho ou não, para prosseguir sacrificando a sua vida pessoal em favor do serviço à comunidade – autarca dixit.
Sou, visceralmente, contra o paraquedismo político. Seja autárquico ou parlamentar. Porque entendo que, para se ser um digno e bom representante e servidor do povo, é preciso ter nascido e crescido no seu seio. Ademais, só esta qualidade lhe pode garantir a legitimidade, democraticidade e conhecimento necessários para defender as aspirações e denunciar as necessidades e carências dos eleitores que representa.
Depois, o que de tal paraquedismo transparece é, antes de mais, uma forma de aproveitamento pessoal e oportunismo político, privilegiando os interesses partidários e de grupo e o prolongamento do poder sempre nos mesmos abencerragens que, afinal, em vez de servirem o povo, assim, dele se servem. Por isso, não acredito que, quando estes paraquedistas dizem que se sacrificam pelo bem comum, o façam como demonstração genuí-na dos sentimentos de altruísmo e filantropia.
E, assim, frouxas e obtusas são as leis que, não sendo explícitas e determinantes nos seus pressupostos, permitem leituras e aplicações ao jeito e gosto, de quem sempre lhes espreita um buraco por onde escapar. O que me faz lembrar o que um cliente dizia ao seu advogado: eu, apenas, lhe pago para encontrar o tal buraquito na lei que nos permita a escapadela.
E pensarmos nós que os dinossauros eram, há milhares de anos, uma espécie já extinta! O que, entretanto, nos leva a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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