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Estenose aórtica

A estenose aórtica afecta 32.000 portugueses, atingindo um em cada 15 portugueses com mais de 80 anos. Trata-se de um aperto na válvula aórtica, cuja função é evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Quando existe este estrangulamento, o sangue passa com dificuldade, provocando cansaço, dor no peito e desmaios, e o tratamento passa por implantar uma válvula nova.

Rui Campante Teles
27 Fev 2013

Apesar das limitações importantes que os doentes sentem na qualidade de vida (cansaço, desconforto no peito ou desmaios) após o diagnóstico, os doentes e os seus médicos hesitam se valerá a pena operar o seu coração, uma vez que o risco pode ser elevado. Além disso, há preocupações com o apoio durante o processo de recuperação já em casa.
Felizmente, hoje em dia, o cateterismo permite também tratar as válvulas cardíacas através de um pequeno orifício na virilha para aceder à circulação sanguínea, utilizando as artérias como canal de reparação do coração. A grande diferença é que permite um restabelecimento mais rápido, pois é muito menos invasivo que uma operação convencional. Esta técnica sofisticada é uma alternativa que cresce rapidamente em todo o mundo e espera-se que este número cresça em Portugal nos próximos anos.
A estenose aórtica é, na maioria das vezes, causada por um processo degenerativo, que surge após os 70 anos, resultado do envelhecimento. Nalgumas pessoas mais jovens, a válvula aperta em consequência de defeitos à nascença ou após infecções graves que atingem o coração. 
O problema maior é que é uma doença potencialmente fatal. As melhorias produzidas pelos medicamentos são limitadas e não evitam as complicações mais graves provocadas pela exaustão cardíaca que, após os primeiros sintomas e nos apertos de alto grau, conduz à morte de metade dos doentes no primeiro ano.
A solução é a colocação de uma prótese que vai substituir a válvula que está a funcionar mal. Até agora, a cirurgia cardíaca convencional era a única opção. Porém exige abrir o esterno e a recuperação após a intervenção é prolongada. A alternativa que existe é minimamente invasiva é realizada por cateterismo através de um orifício de 8 milímetros. Permite posicionar uma prótese valvular no local da que estava entupida através da própria circulação do doente e retomar o funcionamento normal do coração com uma recuperação em apenas duas semanas. Mas há sempre cuidados que têm que se continuar a ter, como tomar a medicação com rigor e ser reavaliado periodicamente.
Em Portugal, esta técnica está disponível em quatro centros públicos e um centro privado: o Hospital de Santa Cruz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental) em Carnaxide, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, o Hospital de Santa Marta, o Hospital da Luz e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.




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