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Portugal no centro

De repente Portugal deixou de ser um país periférico na Europa e pode ficar no centro do bloco económico euroamericano. Explico. No discurso do presidente Obama viu-se claramente que a USA optou definitivamente pelo eixo atlântico em vez do eixo do pacífico. A América sempre hesitou entre o Pacífico e o Atlântico mas ao verificar que se está a formar um bloco fortíssimo no oriente, com a China, Tailândia, Japão e Índia, teve a lucidez de observar que só unindo os interesses económicos americanos aos interesse económicos europeus, pode estar em igualdade, se não mesmo em superioridade, com o poderio económico que se firma e afirma cada vez mais no oriente. A Europa e América ainda representam 50% da riqueza mundial. O bloco euroamericano só manterá esta igualdade se se unir. E se se unir pode mesmo superá-la.

Paulo Fafe
25 Fev 2013

Ora esta ideia de fazer um bloco económico com a América e a Europa coloca Portugal mesmo no centro. Basta olhar para o mapa. É uma oportunidade única para o nosso País. Claro que isto não será para amanhã, mas talvez dentro de dois anos, a arquitetura deste novo bloco faça de Portugal um lugar geoestratégico económico de maior valia. Importa aqui salientar que as sinergias entre empresas americanas e empresas europeias trazem problemas díspares quanto a dinâmicas de laboração, leis laborais, concorrências, fatores económicos e financeiros que é preciso desde já acautelar. Haverá aspetos ambientais a confrontar, sabendo, como nós sabemos, que os aspetos ambientais, principalmente aos que se referem à emissão de CO2, não tem preocupado por aí além os USA. Não sei como vai ser feito o trânsito de pessoas e bens entre o bloco euroamericano, como se integrarão os países menos desenvolvidos da América do Sul; é um problema de integração a resolver. Esta ideia, que julgo avança com mais rapidez do que era esperado e pode dar resposta ao bloco económico oriental, é uma magnífica oportunidade para Portugal. Será a parte mais central deste bloco  e pode ser também a placa giratória  de interesses económicos com o continente africano através dos países de língua portuguesa. Portugal, ao ser o país mais central do bloco, é também janela aberta para o continente africano. Daí que o bloco tenderia a ser não um euroamericano mas um euroamericanoafricano. Há muito a desenvolver nesta estratégia. É preciso que a América e a Europa se não deixem atrasar quanto à África. A China e seus satélites não dormem. Portugal tem excelentes condições para ser um interlocutor privilegiado nesta situação. Mas isto em Obama não é nem foi um discurso, é uma opção política que técnicos de ambas as partes saberão concretizar. Eis a diferença entre política e técnica. A primeira tem a visão, a segunda a concretização. Eu sei que há quem prefira lançar ao ar teorias sem nexo como papagaios que apenas voam,  mas outros há, como Franklin, que do papagaio colhem o raio da ciência. Em Portugal este discurso de Obama pouco passou nos órgãos de comunicação social. Talvez também estes gostem mais dos papagaios que voam do que os que colhem os raios. Com um bloco assim até o Reino Unido vai querer pertencer-lhe.




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