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Consumo de álcool em adolescentes escolarizados

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2002, morreram 600.000 europeus de causas relacionadas com o alcoolismo, representando 6,3% de mortes prematuras, correspondendo 63.000 dessas mortes a jovens entre os 15 e os 29 anos de idade. Embora o alcoolismo nos adultos seja um problema de saúde, social e económico grave e muito prevalente, o consumo abusivo de álcool pelos adolescentes e jovens tem consequências diferentes das evidenciadas nos adultos, devido à fase do desenvolvimento em que se encontram e pelo facto do padrão de consumo de álcool dos jovens atuais ser diferente do passado, caraterizando-se por um consumo compulsivo, normalmente ao fim de semana.

José Precioso, Augusta Dias e Cláudia Correia
23 Fev 2013

Este comportamento origina frequentemente problemas imediatos como a embriaguez, podendo levar ao coma ou até mesmo à morte. O consumo excessivo de álcool pelos adolescentes e jovens adultos tem sido a principal causa de acidentes de tráfego. Em Portugal, os acidentes rodoviários são a principal causa de morte entre os jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos e estão entre as primeiras causas de morte entre os menores de 25 anos.
O consumo abusivo de álcool pelos jovens está também associado a comportamentos de risco, entre os quais se encontram as relações sexuais desprotegidas, o que aumenta o risco de gravidez e a exposição ao contágio de
doenças sexualmente transmissíveis como a SIDA e a sífilis
O consumo de álcool interfere com os resultados escolares, uma vez que influencia negativamente o desenvolvimento e maturação do cérebro, afetando capacidades como a memória, especialmente a memória de trabalho, a atenção, a aprendizagem, a maturação da atividade inteligente, a retenção e recuperação de informação verbal e não-verbal e o funcionamento viso-espacial.
O relatório do European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs (ESPAD) respeitante a 2012 e que envolveu mais de 100.000 estudantes, de 36 países europeus, com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos de idade, mostra em média, 56% dos rapazes e 50% das raparigas referiu ter consumido bebidas alcoólicas nos últimos 30 dias (que antecederam o inquérito do ESPAD). Mais de metade dos jovens de ambos os sexos, têm um consumo regular de álcool. Apesar de se registar uma prevalência elevada de consumidores de álcool entre adolescentes portugueses, a prevalência média registada no ano de 2011 (52%) é mais baixa do que a prevalência média registada nos países participantes no ESPAD (56%).
No que concerne ao consumo excessivo de álcool (5 ou mais bebidas na mesma ocasião) nos últimos 30 dias é de 27% nos rapazes e 19% nas raparigas. Apesar de se registar uma prevalência elevada de “binge drinking” entre adolescentes portugueses, a prevalência média registada no ano de 2011 (22%) é mais baixa do que a prevalência média registada nos países participantes no ESPAD (41%).
Comparativamente com o ano de 2007 registou-se um decréscimo apreciável de “binge drinking” em ambos os sexos (de 58% para 27% no sexo masculino e de 53% para 19% no sexo feminino). Apesar disto, a evolução do consumo nos últimos 16 anos parece apontar para uma tendência crescente desta forma de consumo no sexo feminino.
Os resultados do Health Behaviour in School Aged Children (HBSC) demonstram que, em Portugal, no ano de 2010, as bebidas mais consumidas semanalmente por rapazes de 15 anos de idade são a cerveja (8%), seguindo-se as bebidas brancas (5%), os alcopops (4%) e o vinho (3%). No que respeita às raparigas, do mesmo grupo etário, as bebidas preferencialmente consumidas semanalmente são as bebidas brancas (4%), seguindo-se a cerveja (3%), os alcopops (2%) e o vinho (1%). Comparativamente com a média dos restantes países participantes no HBSC, Portugal regista prevalências mais baixas de consumo semanal em todos os tipos de bebidas e em ambos os sexos. Neste contexto, a redução do consumo de álcool apresenta-se como objetivo primordial da OMS e dos governos europeus e pode conseguir-se através da Educação para a Saúde e particularmente através da Educação sobre o álcool e outras drogas. Recomenda-se que os Agrupamentos/Escolas incluam
no Projeto Educativo temáticas no âmbito da Promoção e Educação para a Saúde, sendo uma das temáticas o consumo de substâncias psicoativas.




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