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Portugal agita-se

Quando há trinta e oito anos atrás os militares tiraram o país da ditadura económica, social e política que a todos isolava, foi grande a esperança testemunhada por um país mais alegre, mais justo, moderno e democrático. À exceção do fim da guerra do Ultramar, tudo o que se tem vivido até hoje tem sido falso, por não haver portugueses capazes, sérios e de caráter à frente do leme e organizarem o país que se ansiava e se anunciou. As Forças Armadas de então, as de 1974, ingénuos ou utópicos entregaram Portugal a “emigrantes privilegiados” e outros, que nos colocaram onde estamos: na pobreza e no medo, porque saqueados.

Artur Soares
22 Fev 2013

Desse modo concluiu-se, sem recorrer a demagogia, que não temos tido um único governante que se tenha distinguido na competência, seriedade e caráter: todos, sem exceção, foram oportunistas do poder – e não só – ostracizando o povo que neles votou.
Bem se conhece os saques na banca, em instituições, em empresas, na fome nacional imposta e nos escandalosos saques aos ordenados dos pensionistas dedicados e sacrificados, que descontaram 40/45 anos, servindo políticos não de primeira, mas de uma quinta categoria.
Vejamos os desgraçados casos mais recentes, Sócrates e Passos Coelho: o primeiro apunhalou pelas costas o país e o segundo, insensível, vertendo lágrimas de crocodilo, sem pudor e como um submisso criado, prepara à Nação o respetivo funeral.
Devido a isso, dizia o mês passado na televisão o doutor Marques Mendes que “ser Socrático não é ter curriculum, é ter cadastro”. E ser Soarista, Cavaquista, Guterrista, Barrosista e Coelhone – entre outros – como Paulo Portas, além de cadastrados não serão os próprios e todos os “istas”, traidores do povo, pelos votos do povo nas Urnas de voto?
Porque atiram às valetas os indefesos, extorquindo-lhes o presente e o futuro, seus haveres e seus direitos adquiridos por força de Lei e de Razão, e não assumem os crimes económicos nacionais praticados, passeando-se pelos palcos das televisões e pelas avenidas parisienses, sem as algemas que deviam carregar?
Noticiou há dias um jornal diário que a Casa Real de Espanha gasta anualmente oito milhões de euros e que a nossa Presidência da República gasta o dobro, isto é, dezasseis milhões de euros!
Como é possível a existência desta verdade? Seremos o dobro ou o triplo dos espanhóis ou fazemos a extração de petróleo em várias localidades do país? Como é possível os deputados tomarem café na Assembleia da República e pagarem cinco cêntimos por um café e dois euros por uma garrafa de uísque? Por que razão os salários dos políticos não hão de ser iguais aos salários do nível de executivos do setor privado? Por que razão os políticos não hão de trabalhar até aos 65 anos como qualquer e ganhar depois segundo o que descontaram? Como é possível o nosso Tribunal Constitucional que vigia e garante os direitos do povo, dizer: “não é legal sacar nas reformas com naifa, mas podem-nas sacar à paulada”?
Portugal agita-se e vive ao rubro!
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho bem como o seu ministro das finanças, já provaram que são insensíveis à dor dos portugueses e atuam na disposição de esmagar, a fim de manterem os abastados salários e a sofreguidão que têm pelo poder. Sabem ambos, e os outros ministros também, que não podem andar na rua se não estiverem mascarados ou se não se deslocarem em carros blindados.
Estes homens praticam uma ilusória democracia, uma justiça estática em parte incerta: não há economia transparente, não há verticalidade política, há um novo fascismo!
E se as Forças Armadas de 1974 irradiaram do poder os surdos–mudos e os teimosos do Estado Novo e, entregaram o país às garras destes “emigrantes privilegiados”, agora cadastrados – como muito bem analisou e afirmou Marques Mendes – compete às Forças Armadas de 2013, proteger o Povo que lhe paga, manter Portugal em sã democracia, e limpar com vassouras capazes as ervas daninhas que nos sufocam.
Neste Portugal baralhado, cansado, onde abundam políticos “light” e de ocasião, sem se vislumbrar um só estadista… é sentir que nos movemos sem saber para onde e desconhecer o estilo de viagem.
Nobre Povo? Não: pobre povo!




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