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O Papa da nossa fé

O Ano da Fé é um presente que o Papa Bento XVI ofereceu à Igreja, entre muitos outros, sendo de destacar o precioso Catecismo da Igreja Católica, de cuja primeira edição festejamos os 25 anos. Mas a sua passagem por Portugal também nos ofereceu pequenos exemplos e testemunhos da sua, da nossa Fé. Refiro-me ao modo como as pessoas recebiam a comunhão das mãos do Vigário de Cristo: de joelhos e com um acólito a segurar uma bandeja para recolher as pequenas partículas que eventualmente pudessem cair das Hóstias consagradas. Soube-se, mais tarde, que se tratava de um pedido formal do Papa e não de um mero gesto protocolar.

Isabel Vasco Costa
22 Fev 2013

O facto deve ter deixado marca na vida interior de alguns portugueses, pois aumentou o número de pessoas que se ajoelham, por vezes no chão (sobretudo os jovens) para receber a comunhão na boca. Alguns párocos já se aperceberam do fenómeno e colocaram genuflexórios nas suas igrejas, permitindo um maior conforto a quem optar por esta modalidade e mantendo a possibilidade da comunhão em pé aos que assim preferirem ou estiverem impossibilitados de o fazer. Nessas paróquias, reparamos que muitos adultos acompanham o exemplo dos jovens.
Na verdade, é o próprio Cristo que está presente na Hóstia consagrada e o Santo Padre recordou-nos isso com estes gestos litúrgicos de veneração, respeito e adoração. Levantar-se para cumprimentar alguém – os pais, uma senhora, um professor, um superior – é um sinal de respeito e de justa retribuição, pois, em princípio, todas estas pessoas contribuíram de alguma forma para a nossa boa forma de viver: deram-nos a vida, formação humana, conhecimentos, trabalho e formação profissional, etc.. Quem muito dá, merece alguma retribuição, geralmente manifestada por gestos de carinho, como os beijos dos filhos aos pais. O respeito é a forma de carinho conveniente entre pessoas que se relacionam com menor grau de intimidade ou que desejam manifestar reconhecimento ou admiração.
Com efeito, nas relações humanas podemos distinguir dois tipos: as públicas e as privadas. Nas primeiras, é conveniente usar gestos previstos ou protocolares e que devem seguir certas regras e convenções de acordo com as tradições dos países, clubes, colégios, etc. Nas privadas é permitida uma maior espontaneidade. O mesmo sucede em relação a Deus. A comunhão é um acto público e consiste em receber no corpo e na alma o próprio Deus que morreu para nos salvar. O gesto conveniente do homem em relação a Deus é de adoração: ajoelhar-se, no nosso mundo ocidental.
O cuidado de usar bandeja também faz pensar. Se as Hóstias estão consagradas, as partículas (migalhas) que delas se desprendem também o estão e devem ser veneradas com o mesmo respeito. Uma vez recolhidas, costumam ser colocadas no cálice e consumidas juntamente com água.
Decididamente, devemos agradecer muito ao Papa Bento XVI que nos tenha ajudado a aumentar a nossa Fé, mesmo em atitudes aparentemente de pouca monta.




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