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Investimento

Recentemente o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Mestre, teceu algumas considerações sobre os temas mais controversos da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos, prova que decorre de 4 em 4 anos. Em 2012, Portugal saiu de Londres apenas com uma medalha de Prata (obtida na Canoagem pela dupla Emanuel Silva/Fernando Pimenta) e logo surgiram críticas de vários quadrantes da nossa sociedade. Uma das questões mais afloradas pelos críticos foi a falta de dinheiro, de investimento, mas Alexandre Mestre revela que a situação não é bem assim, acrescentando que em 1976 o Estado investiu 600 contos na preparação Olímpica de Montreal e acabamos por ganhar duas medalhas de Prata (Carlos Lopes, no Atletismo e Armando Marques, no Tiro)”.

Luís Covas
22 Fev 2013

“Nessa altura, toda a gente disse que era um escândalo e que essas verbas deveriam ser canalizadas para o Desporto Escolar, o que ninguém sabia é que essa pequena verba daria para comprar 4 bolas de Ténis de Mesa para cada escola, se essas mesmas bolas estivessem em promoção, revelou ainda o Secretário de Estado.
De facto, dinheiro não significa medalhas e os êxitos dos Jogos Olímpicos seguintes mostram isso mesmo, pois em Atlanta o Comité Olímpico recebeu 6,1 milhões de euros e ganhou 2 medalhas (1 Ouro e 1 Bronze), em Sydney foram disponibilizados 9,5 milhões e Portugal ganhou duas medalhas de Bronze. Para os Jogos de Atenas, em 2004, o COP recebeu 11,9 milhões e o país conquistou 2 Medalhas (Prata e Bronze) e, finalmente, para Pequim o Estado deu 12,1 milhões de euros e Portugal conquistou duas medalhas (1 de Ouro e 1 de Prata). Ou seja, o investimento aumentou mas o número de medalhas manteve-se. Para Londres, o COP recebeu 14,6 milhões e conquistou uma medalha de Prata, contrastando com o investimento e o número de medalhas da Grã-Bretanha, que venceu 65 medalhas, mas também investiu 360 milhões de euros.
O estudo realizado só fala em números, em contas, e os Jogos Olímpicos não são um mero jogo de números. Alexandre Mestre disse ainda que não teme uma reação negativa das pessoas, adeptos e até de atletas ao estudo, porque não está na Secretaria de Estado da Juventude e Desporto para “ganhar títulos e medalhas”, mas sim para gerir bem o dinheiro dos contribuintes, por isso há que ter cuidado na atribuição e aplicação desse dinheiro, e neste capítulo o estudo é muito importante, dá-nos um rumo, um ponto de partida, mas não é uma obrigação seguir as conclusões de qualquer estudo.
Por várias vezes já emiti minha opinião pessoal que enquanto não houver uma politica de desenvolvimento desportiva assente no Desporto Escolar, Desporto Federado e no Desporto Universitário, podem-se investir os milhões que entenderem que continuaremos a ser uns parentes pobres do desporto internacional. Ouvir as federações desportivas o Comité Olímpico e Paraolímpico, definir prioridades e onde podemos chegar, tomem-se decisões ponderadas, e talvez tenhamos maior sucesso!
Brevemente haverá eleições no COP, comece-se por aí a arrumar a casa porque esta terá que ser construída pela base e não pelo telhado, pois caso isso aconteça não há investimento que resista.




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