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Insólito… ou talvez não

A federação australiana de natação divulgou esta semana o relatório referente aos Jogos Olímpicos (JO) de Londres 2012. O insucesso australiano, uma das maiores potências mundiais, na última edição dos Jogos Olímpicos nesta modalidade, levou as autoridades responsáveis, políticas e desportivas, a levantar um inquérito para avaliar as causas desse fracasso. O insólito relatório atira todas as culpas para a liderança da comitiva e, essencialmente, para alguns dos atletas, pois apontam situações de mau comportamento, tais como “embriaguez, consumo de drogas, consumos de medicamentos, intimidação a outros atletas, mentiras e constantes violações das regras…” como as principais causas do fiasco da natação australiana em Londres. Por exemplo, os nadadores das estafetas masculinas foram mencionados no relatório de terem participado na prova, após o eventual consumo de drogas.

Carlos Dias
22 Fev 2013

Nos JO’2012, a natação australiana obteve a pior representação desde Barcelona 1992, pois “apenas” alcançou uma medalha de ouro, seis de prata e três de bronze.
Estou convicto que este relatório avançou porque não foram atingidos os objetivos. Estou também convencido que se a comitiva australiana atingisse o objetivo proposto, mesmo que tivessem ocorrido de igual forma as condições de representação e todos estes comportamentos reprováveis, este relatório não seria tornado público. Quanto mais elevadas são as expetativas, maiores são as responsabilidades. Mas não são só os atletas que terão que ser responsabilizados. Aliás, o relatório refere que “…existiram alguns atletas com um comportamento displicente para o bom funcionamento do grupo, que exigia a resposta dos líderes, treinadores e outros nadadores, mas essa resposta não foi dada.” É determinante que o sentido de responsabilidade de todos os intervenientes prevaleça, desportiva, cultural e humanamente.
Apesar de todo o aspeto negativo desta avaliação, pois é inadmissível que atletas, desta envergadura e responsabilidade, se deixem levar por desvios comportamentais que condicionam anos de preparação e ponham em causa o nome do próprio país, o aspeto que mais realço é a “coragem” de expor as verdadeiras causas, sem fugir ao tema, à responsabilidade e sem arranjar outros motivos falaciosos para a opinião pública.
Faltam saber as consequências deste relatório, mas terá sem dúvida o mérito de criar discussão em torno deste tema e apontar o caminho para que situações destas não se repitam. Se fosse no nosso país, claro que se apontariam as agulhas para o Desporto Escolar, para tudo, menos para estes fatores que colocam em causa atletas, mas também toda a estrutura responsável pela missão olímpica e responsáveis das modalidades.
Todos percebemos que as “tentações” são enormes, principalmente nas idades tão vigorosas e às vezes inconscientes que os atletas atravessam, mas faz parte do sentido de responsabilidade de um chefe de missão acautelar todas as situações que evitem ou minimizem os impactos destes comportamentos desviantes de uma comitiva.
Os casos desviantes e insólitos podem acontecer, tendo em conta o universo tão grande como são uns JO. Contudo a preparação cuidada e altamente profissionalizada tem que ocorrer, antes, durante e depois de qualquer edição.
Depois deste relatório já nada será como antes, pois as autoridades australianas, que investem, com certeza terão outra atenção e dinâmicas diferentes. Pena que em Portugal, não se retire este exemplo e, participação atrás de participação, as causas do dito “insucesso” não sejam realmente avaliadas e o sentido de responsabilização não seja imputada a alguém… e os casos insólitos continuarão a acontecer…




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