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Os deuses devem estar loucos…

A realidade dos dias de hoje mostra-nos, à escala mundial, situações envolvendo ícones do cinema, da música e do desporto, que parecendo possuir tudo aquilo a que o comum dos mortais poderia aspirar, veem a sua vida, e a dos que os rodeiam, desmoronar-se como simples baralho de cartas, por atitudes que numa primeira análise se nos afiguram, incompreensíveis. Pelo mediatismo e atualidade, há dois casos que merecem reflexão e me levam a procurar, sem encontrar, explicação plausível. Lance Armstrong e Oscar Pistorius eram, até há bem pouco tempo, exemplos terrenos de que valia a pena lutar e ser perseverante, que a recompensa, material ou integral havia de surgir.

Carlos Mangas
21 Fev 2013

Armstrong, vencedor de uma luta contra o cancro e de sete Tours, e Pistorius, atleta Paralímpico e Olímpico, considerado pela revista TIME como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, defraudaram as expetativas de milhões que neles se reviam para lutar contra doenças terminais e/ou superar as agruras da vida.
O preço da fama também é esse, tendo tudo aquilo com que sempre se sonhou, conseguir sobreviver à pressão dos papparazi, às calúnias, à inveja, à desconfiança e…ao sucesso. Estes ídolos, a partir do momento que se notabilizam pelo nível de excelência atingido, passam a ser diferentes do comum dos mortais porque as marcas que os patrocinam querem “vendê-los”, e aos seus produtos, esquecendo que por trás daquele ícone, está um ser de carne e osso que pode não se encontrar devidamente preparado para as solicitações e pressões de que é alvo. A falta de preparação para gerir emoções, fama e dinheiro, pode ter consequências nefastas.
O que me preocupa mais nos dois casos mencionados é que tanto um como outro, pelo seu histórico de vida, passaram por inúmeras privações e ao conseguirem superá-las pareciam estar preparados para tudo. No entanto, a realidade parece dizer-nos que para perceber os seus problemas específicos, devemos ter uma visão holística sobre o possível problema maior. O que leva uma pessoa aparentemente racional e inteligente, como parecia ser Pistorius, a cometer o crime de que é acusado? A verdade, nua e crua, é que a sua fama provinha de um handicap (pernas amputadas) e à luta travada para o superar. Mas tê-lo-á superado? A namorada “trancada” na casa de banho não terá sido um momento de rejeição que fez soltar-se “o gatilho” (saltemos a metáfora) de quem aparentemente parecia ter o problema resolvido? E Armstrong? O que o terá levado a cometer aqueles dislates, com o doping, que lhe proporcionaram vencer umas meras corridas de ciclismo, quando já tinha superado as “maiores montanhas” e provas da vida, ao deixar para trás…três tumores cancerígenos? Mais fama? Dinheiro?
A questão é que todos estamos providos de um cérebro, sobre o qual ainda temos muito que estudar para conseguir aceder à sua total compreensão. Como controlar, precaver ou tratar os impulsos que geram estas emoções destrutivas, em si próprios ou nos outros? Não haverá programas de educação emocional que ajudem a superá-las? Dizem os orientais que a infelicidade e os conflitos interpessoais têm origem em desejos incontroláveis, ira e ilusões. Será a neurociência capaz de encontrar estratégias e soluções que fortaleçam a estabilidade emocional e consequentemente, ajudem estas pessoas? Estarão os “promotores” de ícones desportivos, cinematográficos e musicais disponíveis e alerta para…estas questões?
Muitas perguntas para as quais parece ainda não haver resposta, e que infelizmente irão fazer com que “deuses”do desporto, da cultura e das artes, quais meteoritos, continuem a cair estrondosamente.




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