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Haja paciência

Talvez tenha sido a primeira vez nesta época: perante o empate, com a conquista do “pontinho”, cheguei ao fim do jogo com uma estranha sensação de contentamento. Lembro-me que no final do jogo da Luz, na primeira jornada, senti que perdêramos dois pontos. Desta vez, estranhamente, senti que ganhamos um ponto. Porquê? Talvez porque o nosso rival mais direto (Paços de Ferreira) tinha também empatado, talvez porque o jogo até tenha sido bem disputado, mas seguramente por uma outra razão também: porque os jogadores do SC de Braga fizeram tudo o que estava ao seu alcance para ganhar o jogo.

Manuel Cardoso
21 Fev 2013

Por exemplo, Éder não esteve feliz na finalização mas lutou até à exaustão para o conseguir; Custódio foi o guerreiro que fez lembrar a dinâmica antiga que a nossa equipa costumava demonstrar; a defesa (exceção feita ao mau posicionamento que deu o golo ao Rio Ave) esteve em bom plano, exibindo-se com concentração e segurança.
É nítido que alguns jogadores não estão na sua melhor forma, mas foi visível o empenhamento constante em conseguir a vitória.
No entanto, um outro aspeto me fez ficar satisfeito: a adesão dos adeptos. Começo a convencer-me que há dois tipos de adeptos: os que apoiam a equipa e os que protestam por tudo e por nada. Os primeiros são mais visíveis nos jogos fora de casa. No estádio AXA temos mais adeptos mas nem por isso temos mais apoio à equipa. Penso que este é um aspeto em que todos temos de refletir. Todos temos espírito crítico e isso é saudável. Não é nada bom aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem questionar. Mas uma coisa é ter espírito crítico e outra, completamente diferente, é levar a agressividade e os ódios para o estádio. O futebol, felizmente, é muito mais que um jogo: é uma atividade lúdica, onde o objetivo é encontrar motivos de satisfação no próprio desporto, independentemente dos resultados e de todos os fatores externos que o rodeiam.
Não serve isto para dizer que tudo está bem em Braga, porque não está. Quatro pontos a menos que o Paços de Ferreira, com quase dois terços do campeonato já disputado, é um balanço pouco abonatório para nós. Mas eu continuo a acreditar que vamos chegar a bom porto. Todos nós sabíamos que os jogos com o Paços de Ferreira e com o Rio Ave seriam decisivos. O certo é que dos seis pontos em disputa apenas conquistámos um. Nem as piores previsões apontavam para um pecúlio tão escasso. Razões para este fracasso? Talvez a falta de sorte. Vamos acreditar que sim.
E, acima de tudo, vamos acreditar numa verdade que o futebol já nos ensinou muitas vezes: tudo muda em duas ou três semanas.
Se ganharmos três jogos consecutivos, todas as críticas ao treinador serão esquecidas. Todos os lamentos de falta de sorte desaparecerão. Todos os indícios que alguns veem de “jogo para trás do pau” desaparecerão. Tudo o que se vem exigindo ao presidente deixará de fazer sentido; até as saudades de Domingos e de Jardim desaparecerão. Basta ganhar três jogos seguidos. Para já, portanto, haja esperança e paciência.




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