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A lei da adversidade (I)

Há uma lei na natureza humana segundo a qual quanto maior for a oposição encontrada por uma pessoa maiores serão as suas possibilidades de evoluir e progredir. A luta torna os nossos músculos mais rijos e aperfeiçoa a nossa perícia. A essência da vida é a luta. A força vem da luta, a fraqueza do ócio. Os homens mais ilustres da história aprenderam a lutar contra a corrente por terem sido lançados no redemoinho onde tinham de lutar pela vida ou afogar-se. Só na escola dos baldões da vida se faz o “doutoramento com louvor” para a tarefa de viver. Assim o demonstra a história da maior parte dos homens e mulheres mais famosos.

Artur Gonçalves Fernandes
21 Fev 2013

O. W. Holmes escreveu: “se eu descobrisse uma fórmula para evitar complicações não a mostrava a ninguém. Se a desvendasse não faria nenhum favor. As complicações criam a capacidade para as resolver. Não digo que devam ser procuradas; mas digo para se encararem como pessoas amigas, porque aparecem muitas vezes e é preferível estar de boas relações com elas”. É frequente acontecer que indivíduos prometedores acabem por falhar por não terem encontrado uma oposição forte. Quando a adversidade bate à porta, vão-se abaixo por falta de fibra que só se adquire passando pelas provações e pelo trabalho penoso. Muitos homens devem a grandeza das suas vidas às tremendas dificuldades encontradas para singrar.
A riqueza não compra a libertação dos males que nos afligem. Não é possível construir uma casa, por mais fortificada que seja, que não deixe entrar os malefícios que muitos provocam na sociedade. A oposição e o fracasso põem em evidência o que há dentro de cada um de nós. O ouro é purificado pelo fogo, os homens corajosos pela adversidade. As qualidades fundamentais do carácter formam–se e amadurecem pelo sacrifício e pelos trabalhos custosos e não pelas facilidades. O trabalho árduo é, na maior parte dos casos, o professor mais providencial. Moisés tornou-se o maior jurista do mundo, não por viver no luxo dum palácio do Egito, mas na solidão do deserto. Foi estimulado por uma crise, tornou-
-se forte pela perseguição e pela incompreensão e fez-se herói no meio do conflito.
Todos os grandes livros foram escritos com o sangue dos seus autores. Estes livros tiveram origem em grandes tribulações. Quem foi o maior poeta da Grécia antiga? Foi Homero. Esse ilustre escritor era cego. Beethoven ficou quase totalmente surdo, mas compôs algumas das mais belas sinfonias de todos os tempos. Hellen Keller ficou cega-surda-muda pouco tempo depois de nascer e toda a sua vida serviu para provar que ninguém se pode considerar totalmente vencido, até a morte ser aceite como uma realidade. Assim, o infortúnio abriu, a muita gente, uma porta sobre uma visão notável e feliz da vida humana. Todos lutamos encarniçadamente pela prosperidade. Não desejamos ter como companhia a adversidade. O paradoxo está em serem as provações severas e os sofrimentos prolongados os promotores de grandes figuras da humanidade. “Todos podem carregar a sua cruz, por muito pesada que seja, até ao cair da noite” – escreveu Robert L. Stevenson.
Todos podem viver de maneira serena, paciente, amável e pura até o sol da vida desaparecer.




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