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Razões e não razões da Materialidade

Pelo título, o leitor está mesmo a ver para onde vai deslizar o meu assunto. É isso mesmo. Vai deslizar para o tema – O comunismo – cuja origem está na materialidade. Poder-se-á estar à espera que me desfaça em impropérios, imprecações e maldições. Não é o caso. Pelo contrário, vou-me derreter, muito respeitosamente, em vénias, louvores e elogios em favor da génese e prestígio do comunismo. Contudo, peço, por favor, para não conotarem, aqui, a palavra comunismo como resultado de qualquer sistema filosófico, que lhe sirva também de cama e o incite a desaguar o seu fervor nas práxis transformadoras.

Benjamim Araújo
20 Fev 2013

O meu objetivo não está inclinado para acariciar o gosto de impugnar ou de aceitar qualquer pensamento ou teoria, nem sorrir ou aderir a qualquer movimento ou filiação. Também não finco o pé em atordoar os tímpanos com apropriados rifões e em arrastar, quem quer que seja, ao toque de ferrinhos, pandeiros e castanholas, para as ondas vivas da emoção apaixonada.
O meu objetivo, em vez de acalentar, fervorosamente, o comunismo (com o desenrolar do pensamento do novelo da paixão), vai procurar, isso sim, intransigentemente, propor-lhe o ôntico (o nosso ser real e concreto), como o seu radical e verdadeiro fundamento, através do método dialético transcendental. Também é meu objetivo metafísico, analisar a constituição do ser, como sendo uno na sua estrutura constituída pela corporalidade espiritualizada. É aqui que desabrocha o botão da sua identidade.
Esta constituição, imanente ao ser, é, por dádiva de Deus, geradora das potencialidades ativas (vida, sabedoria, felicidade, liberdade…), cujas manifestações, através das atividade (sensoriais, emocionais, mentais, práticas), estão, pela vida fora, nas mãos fecundas da pessoa, adulta e sensata. Esta tem a capacidade de lhes dar o seu correto e verdadeiro destino para a identidade (potencialidades) do nosso concreto ser.
É com estas credenciais que o ser se apresenta, aqui e agora, a Hegel, Engels, Marx, Lenine e Estaline, berrando-lhes aos ouvidos que tudo o que é humano, para ser humano, deve ser batizado na pia batismal do ser autêntico.
Através dos tempos, a começar pelo ano de 1300 A.C., surgiram, pelo menos, doze variedades de comunismos, culminando, com chave de ouro, no materialismo dialético soviético. Contudo, seria descabido pensar no ressurgimento de um novo comunismo, um comunismo universal, a girar à volta da nossa existência, comunismo transcendentalizado e com a sua génese no autêntico ser humano? Estou convencido que não. Embora as dificuldades sejam aos montões, este é o caminho; esta é a solução. Este autêntico ser projetaria, pelo curso da nossa vida terrena, os seus categóricos ditames, hauridos da sua identidade transcendental.
Como um observador avançado, vou-me colocar, com os pés bem firmes e os olhos da atenção bem espevitados, no campo existencial, onde predominam, entre outros, a cisão, a rejeição, a heteronomia, o empirismo e o subjetivismo. Coloco-me, também, no campo existencial transcendentalizado, onde se evidenciam a autonomia, a objetividade/subjetivada, a verdade, união, conexão e sintonia. É com os pés nestes dois campos, que me proponho criticar e avaliar o comunismo materialista, marxista.
O comunismo materialista, por ter cortado os seus relacionamentos com a espiritualidade, está, por tal facto, condenado à derrocada, ditada pela materialidade espiritualizada do nosso autêntico ser. Em nós, matéria e espírito aguardam, entre si, uma conexão imanente, íntima e profunda. É esse o desejo inviolável do nosso ser para construirmos a paz, a segurança, a felicidade.
A matéria, e tudo o que nela tem a sua origem, não é nenhum mal. O mal está na ausência de espiritualidade mas, na extrema espiritualidade, também existe o mal que está na ausência de materialidade. Aos materialistas digo-lhes, então, para se banharem na espiri-
tualidade. Aos espiritualistas digo-lhes para se banharem na materialidade. São estas as ordens respeitáveis, oriundas do nosso autêntico eu.




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