Fotografia:
“Made in Germany”

Exigência, rigor, trabalho, estudo e oração foram uma constante no ministério petrino de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Também a humildade que imanava do seu rosto sorrindo e dos seus gestos eram reveladores da sua forma de estar, pouco mediática, mas humildemente segura e tranquila. O pontificado de Ratzinger não foi longo mas extraordinariamente fecundo, procurando com uma firme vontade e clareza de pensamento, o perfeito equilibro entre os homens e Deus.

Maria Susana Mexia
20 Fev 2013

Foi o maior pensador católico do século XX, todos os seus escritos se situam entra a Teologia – ciência de Deus – e a Filosofia – ciência dos homens. A capacidade de trabalho e a precisão, características estritamente alemãs, foram uma constante nos seus actos e decisões. Políticas e diplomacias não fizeram parte do seu vocabulário, logo não fez o – ar do tempo –, não pactuou, não deu o dito por não dito, nem pretendeu agradar a gregos e a troianos, mas tão só à sua recta e justa consciência de formação teológica e filosófica, na esteira dos valores humanos por inspiração divina.
Numa perspectiva ausente de negativismos pessimistas, o seu pontificado primou pelo serviço da Igreja à humanidade numa tripla acção: a santidade dos Sacramentos; a solidariedade com todos os povos e o testemunho da dimensão transcendente do homem.
A paixão por Deus mais não é do que uma arreigada necessidade de vida eterna, reveladora da centelha divina que habita no seio da nossa espécie, marca indelével da origem e fim da humanidade, no seu destino rumo ao transcendente.
As tentativas de interpretação deturpada sobre a essência da existência humana, procurando criar problemas éticos e religiosos visando anular a diferença entre o bem e o mal, num foco de perturbação de valores, de descrença e de apatia, foi uma das centralidades confrontadoras do seu ministério, na retoma de uma pureza original. Por isso deitou mãos a muitas formas de orientar, recordar ou ensinar no sentido duma mais largada experiência Teológica: O Átrio dos Gentios; o Ano da Fé; o Diálogo Inter–Religioso, não abdicando de aderir às modernas redes sociais, como forma e mediação duma Nova Evangelização.
Porém, o reconhecimento da diminuição das suas capacidades, fruto da idade e da doença, leva-o a ceder a barca de Pedro a um timoneiro mais forte, mais novo, que possa conduzir a Igreja nestes mares conturbados, nestas águas turvas e agitadas. 
Na alegria e na certeza do amor de Deus e a Deus, retira-se. Não vai fazer férias, nem viagens paradisíacas, mas recolhe a um Convento, dentro das muralhas vaticanas – “Mater Ecclesiae”, uma casa sem comodidades, austera e simples, o local perfeito para continuar a pensar, a escrever e a rezar.
“A história nunca se repete, mas o homem sempre é o mesmo: os Papas passam mas a Igreja permanece.” 




Notícias relacionadas


Scroll Up