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“Encosta-te a mim”

Portugal tem a geração mais qualificada de sempre, mas também a mais desempregada e, graças às políticas dos vários governos, pouco produtiva. Quando se dizia, por aí, que o analfabetismo era o principal entrave ao desenvolvimento social e económico do país, o que nos deixava na cauda da Europa, hoje em dia com tantos licenciados, apesar de ser primordial, já não serve de desculpa para quem nada tem feito para inverter essa situação. E em certos aspectos, sobretudo no campo educacional, estamos a anos-luz do que deveria ser uma nação de cidadãos bem formados e informados, quanto à problemática que a todos nos envolve.

Narciso Mendes
19 Fev 2013

É um facto que fomos tramados por nos encostarmos demasiado às ideias que certos políticos professavam, afigurando-se-nos legítimas e com sentido, quando afinal só as usaram para satisfazerem o seu egocentrismo e a sua vaidade os quais, uma vez no poder, logo ignoraram a missão patriótica que é servir a causa pública. Daí, deixarem-nos neste estado de pedintes europeus, à espera que do que vai resultando desta austeridade. 
À frente dos partidos, estes políticos vão sentindo dificuldades em encontrar entre os seus “encostados” gente capaz de desempenhar, cabalmente, funções com postura e fiabilidade suficientes, não encontrando verdadeiros arrais que imprimam, contra ventos e marés, a força necessária a esta caravela, que é Portugal, para sulcar este mar de dificuldades Mas não alimentemos ilusões, pois são estes senhores que, com falta de rigor e exigência, vão prestando um mau serviço ao país quando deram e dão guarida política a personalidades, de duvidosa índole, que só os descredibilizam bem como às instituições que servem, desrespeitando aquilo que deveria ser a cultura de estado e da diplomacia.
Ora, foi e é através dessa casta de (ir)responsáveis partidários que assistimos à entrada, sobretudo para os quadros autárquicos, de verdadeiros cultivadores do “espertismo saloio” a manipular, em vez de governar, este importante poder político no qual vão deixando a sua marca de incredibilidade. A comprová-lo, estão as promessas de empregos a gente inqualificável que, em troca de acenarem as bandeiras do partido na frente dos comícios e campanhas eleitorais, os conseguiram.
As movimentações destas pessoas, sobretudo de oportunistas em torno dos partidos, tem dado os seus frutos, resultando daí uma leva de apaniguados para preenchimento de lugares onde, em muitos casos, se sabe apenas que existem uma secretária e um computador. É que entre algumas franjas populares ainda vão fazendo escola os velhos ditados populares: “quem a boa árvore se encosta, boa sombra o cobre”; “aquele (a) encostou-se bem”, ou ainda, ele (a) “encostou-se a um bom partido”. É neste sentido que os partidos políticos vão encorajando os nossos jovens a filiar-se, num autêntico “encosta–te a mim”, se não, emigra.
Estamos em ano de eleições autárquicas e como a disputa se faz, habitualmente, entre os dois maiores partidos há quem aproveite andar a correr de um lado para o outro, ao sabor das sondagens, para ver por qual deles se decide, agitando as bandeiras nos dois, num oportunismo sem precedentes. Assim, encostados aos partidos, lá vão dando palmadinhas nas costas aos protagonistas eleitorais, numa verdadeira explosão de hipocrisia, para ver se apanham alguma das migalhas que caem do banquete do poder para algum filho, neto ou enteado mitigar a sua fome de emprego.
Enquanto a incapacidade se continuar a manifestar em quem nos governa para criar empregos, sem dependerem do orçamento nacional, este estado de coisas continuará a verificar-se, permitindo que impere a mediocridade à frente dos nossos destinos. E sem se mudarem estas situações, que não dão nenhum sentido à democracia, de nada servirá vir dizer que Portugal e os seus municípios estarão em boas mãos, se estas não estiverem completamente limpas e isentas destas práticas antidemocráticas.




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