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Terapias da enurese(1)

Nos manuais, referem-se vários modelos de apoio terapêutico da enurese, mas a verdade é que nem todos têm a mesma eficácia ou têm mesmo qualquer eficácia. Porque se trata, como já referi e falaremos no artigo seguinte, de um transtorno muito sensível, pareceu-me conveniente falar, ainda que rapidamente, dos modelos de terapia da enurese.

M. Ribeiro Fernandes
17 Fev 2013

>Há o recurso à medicação, pela medicina convencional, sobre o qual Ajuriaguerra, um nome autorizado na matéria, não se mostra optimista. O caso que foi relatado por esse meu amigo mostrou que esse método não tinha qualquer eficácia e a minha experiência profissional também o confirma, pois normalmente os casos chegam depois de passar por essa instância.
 >Há os métodos termais: segundo os defensores deste método, ingerir água termal salgada poderia ter 50% de êxito. É um método praticamente desconhecido. Só se a eficácia advier da mudança de ambiente como factor condicionante. Podemos incluir neste método a chamada cura hélio-marinha, frequentar praia de mar. Desconheço os resultados.
>Há a acupunctura, cuja eficácia de resultados também desconheço.
>Há o modelo da Psicoterapia Comportamental, que visa responsabilizar a criança em diminuir a quantidade de líquidos a ingerir depois do meio da tarde e a urinar antes de ir para a cama. Esses conselhos são positivos e úteis; mas, quando se fala em responsabilizar, não se pode culpabilizar a criança por um acto de que não é responsável, pois a enurese não é consciente. Só se se for a nível de prevenção. Se a criança não tem consciência disso, não se culpar como responsável por esse acto.
Dentro deste modelo, podemos falar em reeducação da micção, que visa consciencializar a criança quanto ao controlo da micção e graduar os intervalos de urinar no espaço de tempo entre o deitar e o levantar. Pedir à criança que, a partir do meio da tarde, reduza, dentro do possível, a quantidade de líquidos que vai ingerindo, é positivo; como também é positivo que procura urinar antes de ir para a cama. Pode-se também ensinar à criança a controlar a intensidade do jacto de micção, sendo que esse treino, desde que aceite ludicamente, tem uma dupla vantagem: ajudar a tomar consciência do controle do esfíncter e fortalecer esse mesmo controle.
>Há os métodos de condicionamento por choque eléctrico, sempre que a criança urina e molha a cama, fazendo-a acordar. Considero-os desaconselháveis, pois podem trazer mais prejuízos para o futuro do que a simples enurese. Mais do que desaconselhável, considero que deve ser excluído liminarmente o uso de qualquer aparelho que dá um choque eléctrico sempre que a criança urina na cama, sem saber. É um modelo traumatizante e desumano. Aliás, nem sequer tem valor de prevenção, porque, ao acordar a criança, que se sente castigada por isso, só o faz depois de a emissão de urina ter acontecido. Nem cura nem tem valor preventivo. O que faz é forçar a criança a acordar, à custa de perturbação do sono e do medo de voltar a adormecer, o que já de si é sério demais para ser usado. Para além disso, pode trazer problemas de desvalorização da personalidade, de representação afectiva e relacional parental e da própria auto-imagem.
 >Há a Psicoterapia de tipo analítico, sempre que se entenda que num caso de enurese há também um conflito oculto mais profundo que é preciso trazer à consciência e resolver.
 >Há a Hipnose Clínica, na qual se valoriza mais o inconsciente. Já utilizei muitas vezes esse método, com resultados francamente positivos. Em modelo compósito.
>Há a Sofroterapia, que valoriza mais a dimensão consciente, conjugada com outros métodos. Parece-me um método abrangente, que também utilizo, com resultados positivos.
 Normalmente, sigo mais os modelos compósitos, ou da Hipnose clínica ou da Sofrologia, conforme os casos, associados aos modelos de Reeducação da micção e/ou Psicanálise breve, quando se detectam necessidades de apoio terapêutico a problemas de personalidade que estejam associados.




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