Fotografia:
Satisfazer clientelas ou servir o país?

Neste momento de grande aflição social, de emergência financeira e de necessidade premente de pôr a economia a funcionar com normalidade, o PSD, o principal partido da coligação, não tem imprimido à governação um ritmo coerente, consistente e justo. O PSD tem que tomar plena consciência que a sua matriz ideológica é a social-democracia, de cujos valores e princípios não poderá, nem deverá nunca renegar. Como partido nuclear e transversal do panorama político nacional terá que lutar com tenacidade e com muita inteligência para incrementar e executar políticas que vão unicamente ao encontro da resolução dos problemas do país, das pessoas, das famílias e das empresas. Não pode permitir que outros se apropriem do seu valioso património ideológico.

Armindo Oliveira
16 Fev 2013

É através de modelos sociais e políticos credíveis, estáveis e consensuais, fundamentados na ética, na verdade, na decência e na seriedade dos dirigentes partidários e de todos aqueles que desempenham cargos de responsabilidade na gestão da coisa pública que leva todo um povo a acreditar e a confiar que é possível virar a página da intranquilidade, da pobreza e do desencanto por esta democracia que a querem reduzir ao voto para a simples conquista do poder. A democracia não é pertença dos partidos, mas uma realidade viva e sentida por todos aqueles que gostam da liberdade, que lutam e se preocupam com o bem-estar e que estão disponíveis para a busca de novos horizontes sem barreiras, sem estigmas e sem medos.
O estado de revolta recrudescida e de impotência assumida que aflora e se sedimenta na sociedade nacional, não resolve problemas, não sana dificuldades e não contribui para o desanuviamento da situação de extrema gravidade que atinge seriamente o país. Neste momento, o que é preciso é haver discernimento e ponderação na formulação de medidas, boa consciência e sabedoria na forma como as fazem chegar aos destinatários, empenho e coragem na sua aplicação justa e criteriosa. O país precisa mesmo de uma mente inteligente e sensata para comandar esta gente que se vê em dificuldades para enfrentar positivamente este complexo sistema de austeridade que é exigido a quase todos os portugueses.
Não é difícil governar um país com história e com 10 milhões de habitantes. Difícil e complicado é domesticar a clientela política, gananciosa e insaciável, que orbita nas esferas do poder. Complicado é extirpar de vez com os escândalos e com a corrupção que desgraçam as instituições públicas e denigrem o bom-nome de Portugal. Incompreensível é ver gente sem vergonha que delapidou todo um património de credibilidade e de prosperidade e que agora se passeia impunemente pelos corredores da alta sociedade como se nada tivesse acontecido. É triste, muito triste ver um povo à míngua a lutar pela própria sobrevivência por culpa direta de meia-dúzia de incompetentes, habilidosos e desonestos, sufragados e endeusados pelos partidos, que se acham ainda injustiçados e incompreendidos.
O PSD, no campo das opções governativas e partidárias terá que ser muito claro e rigoroso para não deixar rastos equívocos de oportunismo e de desnorte como está a acontecer com as escolhas erradas de Luís Filipe Menezes e de Fernando Seara para as Câmaras do Porto e Lisboa respetivamente, porque são nomeações violadoras do espírito da lei de limitação de mandatos. Também a escolha de Franklim Alves para Secretário de Estado não foi feliz, pois é uma personagem ligada ao escândalo BPN, mesmo que esteja inocente de todo o processo de burla, que causou um pesado rombo nas Finanças Públicas.
O PSD tem que conferir à política nacional verdade, dignidade e respeito pela sua matriz social-democrata. O PSD tem que servir o país e arredar das esferas do poder as suas clientelas tentaculares que imobilizam todo um povo que anseia por paz, progresso e prosperidade.




Notícias relacionadas


Scroll Up