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Recordando o Pontificado de Bento XVI – no momento da Sua renúncia

A primeira encíclica do Papa Bento XVI, Deus Caritas est – (Deus é Amor) “sobre o amor cristão”, um documento denso, com que praticamente delineia os rumos que pretende dar ao seu pontificado, foi publicada em 25 de Dezembro de 2005, ainda no seu primeiro ano. Neste documento, basicamente, envia uma mensagem de paz ao mundo: “Num mundo em que ao nome de Deus se associa, às vezes, à vingança ou mesmo ao dever do ódio e da violência, esta é uma mensagem de grande actualidade e de significado muito concreto. Por isso, na minha primeira encíclica, desejo falar do Amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós”.

Maria Fernanda Barroca
16 Fev 2013

Bento XVI quis dar continuidade aos Encontros com a Juventude iniciados por seu antecessor o beato João Paulo II, e assim presidiu à Jornada Mundial da Juventude de 13 a 21 de Agosto em Colónia (Alemanha), uma vez que João Paulo II tinha falecido em Abril desse ano.
O Papa tem demonstrado capacidade de mobilizar as multidões, em 2011, por ocasião da XXVI Jornada Mundial da Juventude, reuniu quase 2 milhões de pessoas em Madrid.
A visita do Papa à Espanha durante a XXVI Jornada Mundial da Juventude, em 2011 atraiu ao Parque do Retiro, uma multidão de jovens. O Papa, nessa altura, concedeu uma indulgência plenária, e induziu as pessoas, sobretudo os jovens, a aproximarem-se do Sacramento da Confissão.
A sua preocupação também se voltou para o desejo de dar aos futuros sacerdotes uma formação teológica, moral, doutrinal, mas também cultural e voltada para as novas tecnologias para melhor poderem servir a Igreja. Apesar da sua idade, “aderiu” com entusiasmo ao twitter, vendo aí um veículo moderno de evangelização.
Não foi surpresa o facto do Papa abordar o tema do ecumenismo, numa das suas primeiras intervenções. Colocou em primeiro lugar o esforço por aproximar de Roma os cristãos ortodoxos do Oriente, partindo do princípio que “já estamos em comunhão eclesial quase completa com essas Igrejas (Angelus de 30.06.2007). Teve a percepção de que, nos últimos anos o clima ecuménico mudou; bastantes questões éticas ameaçaram dividir católicos e ortodoxos; e os protestantes, com a presença de inúmeras comunidades de teor carismático e pentecostal, em detrimento dos luteranos.
Na Audiência Geral de 24 de Janeiro de 2007, o Santo Padre afirmou “uma esperança que radica na certeza de que a unidade é, antes de mais e sempre, um dom de Deus”.
Outra das facetas marcantes do seu pontificado é a relação que teve com o mundo da Cultura.
Quando, em 2010 visitou Portugal, reuniu-se no Centro Cultural de Belém, com cerca de 1300 artistas e personalidades da vida cultural e social portuguesa, afirmou “que a Igreja precisa de aprender a estar no mundo” e fez ao mesmo tempo uma referência à “tensão” entre o presente e a tradição que, por vezes se torna um obstáculo ao diálogo entre a Igreja e a Cultura.
No CCB foi recebido com aplausos, sobretudo quando o cineasta Manoel de Oliveira, como anfitrião, foi cumprimentado por Bento XVI. O senhor D. Manuel Clemente, bispo do Porto, e também ele um Homem da Cultura, afirmou que a intenção cultural de Bento XVI é também “entendida e bem aceite por muitas personalidades das letras, das ciências e das artes, ainda além das fronteiras da confessionalidade estrita”.
A propósito da homossexualidade Sua Santidade, afirmou que a ordenação sacerdotal não é um direito, mas uma vocação, e o fomento à homossexualidade “cria obstáculos a uma relação justa com homens e mulheres”. Tal contudo, não afecta os sacerdotes homossexuais já ordenados. (Consultar o Código do Direito Canónico, nº 332, alínea 2).
Na esteira de Paulo VI, na sua Encíclica Humanae vitae, Bento XVI condenou os métodos contraceptivos, a fertilização in vitro e o uso do preservativo, isto numa demonstração da «cultura da vida», contra a «cultura da morte». A propósito desta última reprovou a eutanásia, exaltando, por contraste os cuidados paliativos que é justo recorrer em caso de necessidade, insistindo que, se possível, fossem proporcionados pela família “com afecto”, sobretudo para os doentes idosos para que possam preparar a morte em “clima de calor humano”.
Bento XVI chamou também a atenção para o uso das drogas, a poluição e manipulação genética, bem como injustiças sociais e económicas, como sendo áreas de comportamento que são considerados pecados. Podemos, por exemplo, associar ao 5.º Mandamento os descuidos na condução motorizada que enluta tantas famílias e incapacita tanta gente, sobretudo jovem.
O Santo Padre, não «inventou» uma moral nova, mas quis chamar a atenção daqueles que querem afirmar que «o pecado não existe», para assim anestesiarem a sua consciência.




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