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Espanto e tristeza profunda

Bento XVI resignou e um manto de profunda tristeza se abateu sobre mim. Como se tivesse morrido. O Papa da razão, da coragem, de três Encíclicas notáveis e da perseguição surda que lhe fizeram tantos daqueles que agora choram “ lágrimas de crocodilo”, vai deixar-nos! A Sua herança é fabulosa. Rica e profunda.Bento XVI deixa-nos um manancial fantástico de escritos e de gestos que eram verdadeiras lições que muitos se recusam a ler!

Carlos Aguiar Gomes
15 Fev 2013

Um Papa discreto, pouco dado ao espectáculo das multidões, mas de um sentido fora de série do sagrado. Basta ver e/ou recordar o modo como as Missas a que presidia eram celebradas e em que todos os Seus gestos eram lições silenciosas, mas veementes, que nos eram dirigidas.
Bento XVI era o Papa de braços abertos à reconciliação. O Papa da “Anglicanorum coetibus” com que acolheu os anglicanos de volta a Roma, permitindo que guardassem as suas tradições.
O Papa da “Summorum pontificus” que procurou suavizar a perseguição feroz aos católicos cuja sensibilidade litúrgica não era nem é respeitada, por quem tem a obrigação de o fazer. Com os “integristas” procurou o diálogo sempre muito difícil com quem se diz fiel ao Papa mas recusa o Concílio como se este tivesse sido um mal para a Igreja que os Papas aprovaram e promoveram.
O Papa que sempre condenou o relativismo moral que se anichou em todo o lado e, com coragem e determinação, apontou novos caminhos.
Um Papa que quis que o 50.º aniversário do II Concílio do Vaticano fosse recordado, como um dom precioso e voltasse a merecer a atenção e estudo, como uma boa nova para o mundo de hoje. Um mundo saturado de rupturas dilacerantes e que o Concílio continua a dar alento num espírito de continuidade da Tradição da Igreja. E, por isso, declarou um Ano da Fé convidando-nos a abrir a “Porta da Fé”, para entrarmos na essência da nossa Fé, uma Fé conhecida, vivida, rezada, amada e testemunhada. Voltarmos a deixar-nos impregnar pelo Credo, pelos documentos do II Concílio do Vaticano e por essa obra notável que Lhe devemos e que é o Catecismo Universal da Igreja.
Bento XVI foi dos Papas que mais sofreu com os pecados medonhos dos filhos da Igreja. Sofreu e deu respostas.
Bento XVI foi o Papa do diálogo, tantas vezes difícil, com o mundo dos crentes e dos descrentes. Sem ceder, cedeu sempre ao diálogo.
Neste momento, sinto uma perda imensa pela partida deste gigante da Igreja. Sinto-me de luto. Uma enorme tristeza se abateu sobre mim no dia 11, dia de Nossa Senhora de Lurdes. Resta-me a consolação de saber que Bento XVI me (nos) deixou um legado que merece ser acarinhado e estimado como algo de muito precioso.
Se pudesse chegar perto deste Homem, só Lhe queria dizer uma palavra: OBRIGADO!




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