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Um grande jogo

Já muito se falou e escreveu sobre o jogo que foi talvez o acontecimento mais mediático do fim de semana desportivo. Confesso que vi o jogo com grande entusiasmo e mesmo nervosismo. Agora, passadas muitas horas sobre o final do encontro, com a frieza que o assunto requer, já é possível avaliar com alguma objetividade o que se passou. E o que se passou foi um grande jogo. Pelo menos foi o que eu vi. Vi uma equipa visitante que, embora consciente da sua maior valia, trouxe para o campo uma humildade e capacidade de luta dignas de nota. Mas vi também uma equipa da casa exibindo uma qualidade de jogo notável, com uma estratégia bem delineada, com um desempenho técnico apurado. Infelizmente, um desempenho brilhante, uma entrega total ao jogo não foram suficientes para alcançar a vitória, mas neste desporto é mesmo assim: é preciso saber perder e a derrota nem sempre é motivo suficiente para que o espetáculo não valha a pena.

Manuel Cardoso
14 Fev 2013

Vi também um público exemplar, um estádio repleto de adeptos entusiasmados e, acima de tudo, com um desportivismo a toda a prova, apoiando o seu clube durante todo o tempo de jogo, mas também com um tremendo respeito pelo adversário. Nunca, em caso algum se vê em jogos como este uma qualquer provocação ao adversário. Nos (poucos) períodos de jogo em que a qualidade do espetáculo é menor, não se houve um assobio ou um impropério.
Em suma, todo o jogo foi uma verdadeira festa.
À volta do relvado, como é típico nestes jogos, eram numerosos os elementos das forças policiais mas ficamos sem saber muito bem qual é a sua utilidade, tal é a forma ordeira como o jogo decorre, tanto dentro como fora do campo.
Dentro do campo, mau grado o caráter marcadamente físico do jogo, com disputas de bola muito duras, não se vê o mais pequeno desrespeito pelo adversário e qualquer desentendimento é prontamente resolvido com uma atitude pedagógica do árbitro.
No final do jogo, perdeu a equipa com a qual simpatizo. Mas não dei por mal empregue o tempo gasto porque o espetáculo compensou a tristeza. E se digo “espetáculo” não me refiro só ao grande jogo que presenciei mas também tudo o que se passou à volta dele: o desempenho notável dos treinadores, da organização do jogo e, acima de tudo o comportamento dos adeptos.
Neste momento, já o leitor atento adivinhou que tudo isto não poderia ser relativo a um jogo de futebol. Referia-me ao magnífico Irlanda-Inglaterra em râguebi. É que está a decorrer um dos eventos desportivos que mais aprecio: o torneio das seis nações. Sendo fã incondicional dos bravos irlandeses, não fiquei muito satisfeito com a derrota perante os rivais ingleses. Mas, como descrevi acima, o râguebi é muito mais que um desporto de competição: é uma festa a todos os níveis. Porque quanto ao futebol caseiro que temos… estamos conversados.
E é preciso tão pouco para que as coisas funcionem bem! Basta que cada um cumpra com a sua parte: civismo dos adeptos, humildade dos jogadores, competência dos técnicos e sensatez dos dirigentes. E estes fatores têm funcionado em Braga nos últimos anos. Porque é que não funcionam agora? Talvez também eu, adepto, precise de um pouco mais de… calma.
As pessoas a que me refiro já deram provas de competência. Esperemos, pois com paciência que tudo volte à normalidade.




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