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A “receita” do Professor Manuel Pinto

Nas duas últimas décadas, a Igreja – à semelhança da maioria dos que, agora, têm cerca de meio século de vida — foi olhando com sérias reservas para as novas tecnologias de comunicação e, em particular, para a Internet. É verdade que jamais lançou “anátemas” sobre as novas tecnologias, nem demonizou a Internet. Mas não é menos verdade que, na sua “doutrinação” sobre a matéria, a Igreja foi dando especial prioridade aos “alertas” para os perigos do seu uso, especialmente por parte dos jovens.

Victor Blanco de Vasconcellos
14 Fev 2013

Nos últimos tempos, porém, foi ocorrendo no seio da Igreja uma progressiva e significativa mudança, simbolicamente representada pela recente “adesão” do Papa Bento XVI às redes sociais. A reforçar esta nova perspetiva, o Conselho Pontifício da Cultura dedicou a sua reunião plenária deste ano (realizada no Vaticano entre 6 e 9 de fevereiro) às “culturas juvenis emergentes”, dando especial realce à linguagem e aos rituais dos jovens no uso da Internet – no intuito de saber como é que a Igreja se pode aproximar da juventude no âmbito da sua missão evangelizadora.
Entretanto, muito recentemente (a propósito do Dia da Internet Segura), o Professor Manuel Pinto, da Universidade do Minho, prestigiado especialista nas Ciências da Comunicação, publicou um curto mas assertivo texto no jornal online “1.ª Página”, intitulado “Internet: prevenir os riscos, mas visar mais longe”. Nesse artigo, o Prof. Manuel Pinto afirma o seguinte:
“Importa conhecer e divulgar os riscos a que estamos sujeitos [na internet] e aprender a defender-nos. Mas isso não basta. Aprendemos a conduzir não para conhecer os perigos da estrada, mas para levar o carro em segurança de um ponto de origem para o destino que nos convém. É preciso conhecer o carro, as regras de trânsito, as condições da estrada. Mas antes de tudo, é preciso saber por onde e para onde queremos ir, e gerir o tempo para lá chegar. Na Internet não é substancialmente diferente. E, apesar de não parecer, ninguém nasce ensinado. E a formação que se impõe deve ser tanto a vertente tecnológica, como cultural e de cidadania”.
É importante, sem dúvida, alertar para os perigos da Internet. Mas talvez a Igreja já tenha “perdido” demasiado tempo com isso. Porque, como diz o Prof. Manuel Pinto, divulgar os riscos não é suficiente. É precisa formação (tecnológica, cultural e de cidadania) e saber por onde e para onde se pretende ir.
É de difícil aplicação esta “receita” por parte da Igreja? Sem dúvida. Mas será por certo muito mais frutuosa do que a dos simples “alertas” a que insistentemente tem recorrido.




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