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A lei do hábito (II)

As atitudes e tendências habituais formam, muitas vezes, entidades psicológicas a que se dá o nome de complexos. Os hábitos podem ser quebrados com facilidade nas fases precoces da sua instalação, mas uma vez adquirida toda a sua plenitude, eles assumem proporções de ideias fixas. Dominam completamente o carácter e a conduta e, se são maus hábitos deixados sem correção, podem arruinar totalmente a vida de uma pessoa. Primeiro, o homem tem o hábito; mais tarde, o hábito tem o homem.

Artur Gonçalves Fernandes
14 Fev 2013

Com efeito, o carácter, em termos gerais, pode ser descrito como a maneira de ser e de agir (ou de reagir) do ser humano nas condições e circunstâncias variadas da sua vida. Ele resulta da soma total dos seus hábitos: físicos, fisiológicos, mentais, morais, intelectuais e emocionais. O carácter tem como base os hábitos; os hábitos são elementos do carácter. Formar um determinado tipo de pessoas significa congregar um certo conjunto de hábitos. Passar de um tipo a outro significa desfazer alguns hábitos, alterar outros, formar ainda outros novos. O controlo do carácter é um problema do domínio dos hábitos. A autodisciplina é o hábito mais importante do homem de sucesso. Na formação do carácter tem um papel importante não só o temperamento como a educação que se recebe ou se adquire no contexto cultural da comunidade em que se cresce, sobretudo a família e a escola.
Sendo importantes, os hábitos implicam também uma limitação fundamental e que consiste na sua interferência com a evolução e a adaptação quando podem ser mudados. O grande perigo é parecerem-se com o cimento, tendendo a endurecer, a ficar empedernidos e a prender definitivamente o homem e a torná-lo tão completamente dependente deles que tem de se aguentar ou cair com eles. Há dez hábitos principais que, praticados com assiduidade, ajudarão o homem a realizar, com grande probabilidade, todos os objetivos a que se propuser: o hábito da atitude mental positiva, o hábito da investigação, o hábito de ter um fim em vista, o hábito de fazer planos, o hábito da economia, o hábito de aprender, o hábito do entusiasmo, o hábito da dedicação ao trabalho, o hábito da ação ética sistemática e o hábito da humildade. Os hábitos não se formam sozinhos. Construir uma vida controlada equivale a trabalho duro, exigindo presença constante. É necessário exercício e disciplina diários para se adquirirem hábitos convenientes. Todo o homem tem dentro de si qualidades adormecidas, que podem ser cultivadas maravilhosamente pela prática sistemática.
Seguindo o seu próprio caminho, é perfeitamente possível substituir, por exemplo, a timidez pela confiança, a preguiça pela diligência e a dispersão de espírito pela concentração. Todas as pessoas devem cultivar igualmente o hábito da boa disposição. O bom humor espalha e contagia mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança, ou seja, de esperar o melhor e nunca o pior. Todos devemos ainda cultivar os hábitos da alegria, da felicidade, do autoaperfeiçoamento, procurando uma ascensão pessoal e social condicente com a natureza homem. De facto, a natureza humana possui o poder de formar hábitos para triunfarmos na vida. O aperfeiçoamento nos olhos do pintor, na voz do orador, na pena do escritor ou nas mãos do operário, é uma dádiva do hábito. Ele é o canal escavado no recôndito da alma, ao longo do qual a nossa determinação e a nossa habilidade correm com maior facilidade. O que somos determina, muitas vezes, o que fazemos e o que habitualmente fazemos é, na maior parte dos casos, o espelho daquilo que realmente somos.




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