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Reformados – trabalhadores

Os exemplos abundam por aí: Mariana (nome fictício), 58 anos, professora aposentada do ensino público, continua a lecionar numa escola privada; Ricardo (nome fictício), 69 anos, médico aposentado do serviço público, continua a exercer medicina num hospital privado; Eduardo (nome fictício), 56 anos, autarca reformado, continua a presidir à autarquia donde se aposentou; Edmundo (nome fictício), 68 anos, vendedor aposentado, continua a exercer as mesmas funções na empresa onde trabalhava antes da reforma. Ora, segundo um estudo da agência europeia Eurofound cerca de 45% dos profissionais portugueses, apesar de reformados, continua a trabalhar. E isto faz com que esta percentagem seja a mais elevada da União Europeia, ou seja, o nosso país é o líder europeu de profissionais seniores.

Dinis Salgado
13 Fev 2013

Mas, porque continuam estes profissionais reformados a trabalhar? A maior parte, obviamente, por necessidade e para fazer face às despesas mensais, pois as reformas são baixas e insuficientes; muitos, porque ainda se consideram úteis e em condições de exercerem uma atividade; alguns, porque precisam de ocupar o tempo, deixando de vaguear pelos jardins ou cavaquear nos cafés, sentindo a frustração do vazio e da inutilidade.
No fundo, estes reformados não encaram a reforma como um tempo bom para fazerem aquilo que, por falta de oportunidade e tempo, ainda não fizeram. E, quando tão úteis podiam ser em ações de voluntariado e apoio desinteressado à comunidade, preferem continuar o trabalho ativo com todas as obrigações e ralações a ele inerentes.
Todavia, num país marcado pelo desemprego que não cessa de aumentar, mormente nos jovens, esta realidade traduz uma evidente falta de solidariedade social e causa é do despoletar de conflitos intergeracionais. E quando o sistema de Segurança Social caminha para a rutura com a amea-
ça de, num futuro bem próximo, não garantir reformas a ninguém, a estes reformados seniores devia ser negada a aposentação e, muito menos, antes da idade regulamentar, sobretudo, se eles se sentem aptos para trabalhar, vêem a reforma como um passaporte para a frustração e a não realização pessoal ou aposentam-se para, continuando a trabalhar, aumentarem os seu rendimentos.
Pois bem, perante a situação, o mínimo que se exibe é: que o governo fiscalize e puna quem, reformado, continue a ocupar cargos remunerados; que as entidades patronais não mantenham, nem recrutem reformados, mesmo prescindindo dos beneficios laborais e de tesouraria evidentes para as suas empresas (os reformados não fazem greve, não têm ordenados de tabela, não descontam para a Segurança Social, não faltam ao trabalho…).
Pode ser que, assim, o desemprego comece a diminuir, os jovens encontrem oportunidades de trabalho e as contribuições para a Segurança Social aumentem. E, claramente, deixemos de praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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