Fotografia:
As fragilidades do empirismo

O empirismo, nas suas particulares facetas de sensualismo, percecionismo e associacionismo, não passa de uma reação aos espirros alérgicos saídos, abruptamente, pela boca e narinas racionalistas de Descartes. Depois de submetermos os espirros a uma análise esclarecedora, apercebemo-nos de que a sua origem é o vírus da dualidade corpo e alma, com o predomínio na presença do corpo e na adoção das ideias inatas. E concluímos que a cura e a continuação de uma ótima e prolongada saúde está no recurso, em todos os casos de doença, à penicilina da unicidade, extraída da planta ôntica do nosso autêntico ser.

Benjamim Araújo
13 Fev 2013

Os que passaram pelo meio ambiente pouco arejado e doentio do empirismo, entre eles Locke, Berkeley e Hume, bem precisavam da aplicação do tal antibiótico para resistirem e se robustecerem, metafisicamente, contra todos os vírus.
A entrada do empirismo no nosso meio ambiente, forte na sua base (a experiência), fez-se notar, acordando muita gente, com o rebentar do morteiro estrondoso, que anunciava o começo da falência das ideias que brotam, espontaneamente, do entendimento. São, em Descartes, as espampanantes ideias inatas.
Ouçamos, com toda a atenção, as palavras saídas da boca bem aberta do empirismo. Ouvia-se que a origem e o valor do nosso conhecimento assentam na radical experiência. Para o empirismo, o conhecimento é a manifestação da experiência.
Locke, por exemplo, assegura, sem os pés no travão, que todas as nossas ideias têm a sua origem na experiência e que as ideias são representações ou imagens da realidade exterior. São simplesmente estas representações, que nós conhecemos, mas já não conhecemos o ser dessa realidade, isto é, a sua substância. Diz que as ideias são o objeto imediato do nosso conhecimento ou perceção. Às ideias, que têm a sua origem na experiência externa (as que provêm da sensação) e às que têm a sua origem na experiência interna (reflexão), deu–lhes o nome de ideias simples; às que procedem da combinação das ideias simples, denominou-as ideias complexas. Contudo não duvida da realidade exterior (os corpos), porque tem dela uma certeza sensitiva. Não duvida da existência do nosso eu, porque tem dele uma certeza intuitiva. Não duvida da existência de Deus pela certeza demonstrativa. Deus é causa da nossa existência, como os corpos o são das nossas sensações.
Vamos pôr a nu as fragilidades do empirismo, ao tocar nas cordas bastante desafinadas do sensualismo, percecionismo e associacionismo. Contudo, embora frágil, abre as portas à oportunidade da criação de leis, geradoras de união, paz, segurança, justiça e esperança e ao retardamento do empirismo social.
O sensualismo, fonte radical de onde flui toda a verdade, reduz, categoricamente, o pensamento às sensações. Reduz a imagem mental (ideia) à imagem sensorial, o que significa que o sensualismo identifica, desajustadamente, a unidade, a identidade, a universalidade e a necessidade (caraterísticas da ideia) à diversidade, pluralidade, fluência e arbitrariedade das sensações.
Segundo esta teoria, questiono: ? Quem comanda e orienta a nossa conduta? Onde se escondem o dever, a liberdade, a autonomia e a responsabilidade da pessoa, que tem a seu cargo estabelecer relacionamentos, progressivamente ajustados, consigo mesmo e com a sociedade? Talvez a resposta nua e crua seja esta: A pessoa encontra-se em debilidade, imaturidade e dependência dos outros.
O associativismo empirista põe, teo-ricamente, a sua tónica na soma das partes que entram na constituição do todo. Neste todo, as partes conservam sempre a sua autonomia, raiz, por isso, do inconformismo e do pessimismo aborrecido, que cimentam o filão de sofrimento, por onde passa a vida da pessoa.
Neste todo (a soma das partes), vou simbolizar a pessoa como um catavento, movido e orientado pelas suas motivações sensuais (necessidades, desejos, aspirações?), no aqui e no agora. A sua ponderação, suscetível aos prazeres de ocasião, (nas vertentes pessoais e sociais), anda sempre pelas ruas da amargura.
Analogicamente, escorado e fortalecido pela estrutura sintática da frase, constituída por várias e diversas orações, subordinadas à ideia fundamental (que lhes dá unidade, coesão e riqueza de compreensão), não caio na cega e sedutora ilusão de, nas próximas eleições, votar no empirismo, nas suas já conhecidas facetas. Cada um tem de se conhecer e reconhecer na verdade e na justiça do seu ser autêntico, para decidir e votar.




Notícias relacionadas


Scroll Up