Fotografia:
João Almeida despede Joel Costa na RDP 2

1 – O extemporânco apogeu de João Almeida na RDP 2). João Almeida? Os leitores estarão a pensar que se trata do digníssimo e ainda jovem deputado do CDS com esse nome, o qual até já foi presidente do Belenenses. Mas não, mas não é esse. Trata-se antes dum seu homónimo, há vários anos director da RDP 2. De um “intelectual de esquerda” que, mal foi nomeado, logo começou a deixar a sua marca radical e subsersiva na orientação daquele excelso canal cultural, do qual eu e muitos, somos fiéis ouvintes há décadas.

Eduardo Tomás Alves
12 Fev 2013

Nomeado director por 2007 ou 2008 em pleno consulado socratista, seria de esperar que o actual governo, teoricamente mais conservador, o tivesse rapidamente substituído por alguém mais capaz e  lá ficou “esquecido” e seguindo as mesmas políticas “modernaças”. É mesmo um dos exemplos mais despercebidos (e miméticos) daquilo a que alguns têm chamado a persistência da “tralha socratista”.
2 – Desde as queixas no Provedor até à descabida imposição do jazz). Logo de início e durante vários anos foram, como seria de esperar, inúmeras as queixas ao Provedor do Ouvinte, que sobre elas se pronunciou em mais que um dos espaços radiofónicos que lhe são atribuídos. Em alguns deles João Almeida foi até convidado a justificar-se, mas nunca “deu o braço a torcer”, aliás como é de esperar de pessoas assim. Uma das principais provocações de J. Almeida foi a de ter promovido o jazz ao patamar da chamada música clássica ou erudita. Qualquer crítico sério sabe que o jazz (nas suas múltiplas formas) não tem nível para tal. Mesmo até se o compararmos com a música dita ligeira (e esta sim, às vezes tem valor igual ou até superior a alguma da clássica). Ao ponto de timidamente haver há muitos anos, na outra RDP, um programa de J. Vilas Boas modestamente chamado “5 minutos de jazz”, temeroso de que mais que 5 já incomodaria os ouvintes…
3 – Conversas intermináveis e uma colecção própria de “boys”). João Almeida é também justamente acusado de ocupar longos períodos de horário nobre (nos quais antes a RDP 2 só transmitia boa música), com entrevistas ou conversas, com pessoas que muitas vezes não apresentam um interesse por aí além. E  acusado de com frequência não transmitir as obras musicais por inteiro. E de madrugada nem dizer qual é a obra. Ou de os seus jovens locutores (ou ele próprio) darem alguns erros de português. Ou de (mas aqui eu concordo com Almeida) ter introduzido um programa de folclore do mundo. E acusado de ter promovido a locutores e comentadores um numeroso grupo de jovens que pensam como ele e ainda não terão a cultura geral necessária.
4 – Os despedimentos do apresentador Oliveira e de Mª Helena de Freitas). Mal subiu ao poder na RDP, J. Almeida apressou-se a despedir um musicólogo de grande cultura, notável divulgador cujo apelido era Oliveira, mas cujo 1.º nome me penitencio de não me recordar, pois já lá vão 5 ou 6 anos. Oliveira pontificava no canal e foi inconcebível o seu afastamento. O mesmo se passou com a notável especialista da ópera que era M.ª Helena de Freitas, cuja idade e conhecimentos contrastavam com a revoada dos jovens “parvenus”. Acabou por ser, anos depois, o carismático especialista de “rock” e “country”, J. David Nunes a reabilitar oficialmente e pedir desculpas à anciã, que outrora fora íntima de Freitas Branco.
5 – O inconcebível afastamento recente de Joel Costa). J. Almeida acaba precisamente de pôr fim ao célebre programa do ensaista Joel Costa, o “Questões de Moral”, o qual era um dos programas mais populares de toda a rádio portuguesa, ao ponto de ser repetido passado 8 dias e já durar há bastantes anos. Costa costumava  aflorar assuntos que não agradavam aos “Josés Sócrates deste mundo” e parece que não gostava muito da Maçonaria. Além de saber muito de ópera, aliás pertenceu ao coro do S. Carlos. Por se ter reformado deste, Almeida alegou que a lei não permitia que continuasse a trabalhar para o Estado!  Apesar de Costa propor que o faria gratuitamente…
6 – A falta de cultura geral de João Almeida). Em recente dupla entrevista na RDP 2 ao historiador Luís Carlos Amaral (autor da biografia “D. Teresa, a condessa-rainha”), Almeida  persistia no seu estilo chocarreiro, superficial, “negligé”, sempre a interromper o prof. Amaral com  perguntas algo tolas ou ingénuas. E dá novas provas de grave incultura quando a certa altura pergunta se o nosso 1.º rei planeava atacar Marrocos. Ou pior ainda, confunde Cale (Gaia, elemento de “Portucale”) com o nome do negociante Cálem (Callaghan). E pergunta se o povo dos Calaici (calaicos) tem algo a ver com “cálices”!




Notícias relacionadas


Scroll Up