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Fazer como o cavalo

O título bem podia ser a matrafona. Afinal de contas, hoje, terça-feira de Carnaval, dia de ver ou fazer parte do corso, é a figura sempre presente em qualquer um. Mas como quero falar do comportamento do cavalo, vou dar mais relevo a este e menos àquela. A razão, essa, revelo-a mais à frente. Há coisas importantes e outras não. Como o tempo é curto, não vale a pena perder tempo com miudezas, mas há quem as não dispense e até as valorize na sua relação com os outros, seja na vida social, seja nas relações de trabalho.

Luís Martins
12 Fev 2013

Há quem goste só de montar o cavalo, encarrapitar-se e escarranchar-se nele e ao mesmo tempo merecer a menção de bom cavaleiro ou boa cavaleira. Errado. O cavalo precisa mais do dono ou de quem se serve dele do que ser montado. Precisa de atenção, de uma relação afável, de comportamento compatível, de confiança. Se percebesse mais de equídeos podia acrescentar outras razões, mas não é o caso.
 
O primeiro input para o assunto foi a constatação de que há quem prejudique uma organização por inabilidade, falta de estaleca e até por incompetência, como a matrafona que não tem alicerce ou estrutura para suportar o rótulo. Neste particular, temos que fazer a nossa parte. Às vezes pode ser em jeito de crítica. Quem sabe se não ajudamos a resolver o assunto! Não é invulgar que isso aconteça. Quantas vezes a crítica, da mais leve à mais mordaz, levou governantes e não só, a arrepiar caminho ou uma nova reflexão sobre alguma questão! Para fazermos um Portugal diferente é necessário que alguém queira e alguém deixe. Empecilhos não são bons. Infelizmente, há muitos que estorvam e embaraçam quem quer fazer.

Estou para aqui a mandar bitaites – daqui a nada assino o texto – e ainda não disse a razão original do título. Ei-la de seguida. O Pedro tinha falado com o irmão sobre o incómodo que lhe causou uma chamada de atenção persecutória e desmoralizadora da hierarquia por causa duma tarefa que executou com todo o sentido de responsabilidade e diligência, a  bem do cliente e da empresa. E de outros pormenores que aqui não cabem. O Zé Berto aconselhou-o, na minha presença, que fizesse como o cavalo. Achei curiosa a expressão popular e logo me decidi desenvolvê-la, aplicando-a ao que conheço dos sucessos e insucessos das organizações.

No Carnaval, a matrafona pode ajudar, mas se mal utilizada pode prejudicar o desfile e a festa carnavalesca. Se quem a enfia não puder com o equipamento, empurra todos e desorganiza o corso. Na vida real também é assim. Acontece nas coisas do país, como numa câmara municipal ou noutra qualquer instituição. Acontece nos meios sociais, nas mais diversas actividades e lugares que frequentamos. Às vezes damos conta, outras não.

Por trás da matrafona está, porventura, uma pessoa franzina. Valentona? Nem por isso. Por trás da matrafona pode estar alguém pueril, irascível, petulante, nariz empinado, sem experiência de vida e de gestão, mas que sabe o suficiente para beneficiar da desorganização e da falta de senso que reina no país. A matrafona da crónica é muito formal, tanto que é capaz de complicar a vida aos clientes. E procede assim porque se acha com poder. E tem-no, na verdade. Esquece-se é que esse poder a que se agarra é tirano e despótico e que gerir é outra coisa e exige outra atitude.

O Pedro decidiu que se voltar a acontecer o que lhe aconteceu, fará como o cavalo. E bem. Quando não se quer aborrecimentos, faz-se como o cavalo. Lembrei-me, entretanto, que o cavalo, sendo amigo, obediente e, se for preciso, carrejão, não aceita tudo e um dia pode não responder por exaustão.

Por ser dia de Carnaval, estas linhas não se destinam hoje nem ao governo, nem à oposição, mas a quem está mais perto do terreno e se esquece ou não sabe que há coisas essenciais e banais e que a gestão não pode ser exercida por quem não tem jeito, qualidade bastante e muito menos por quem não é competente.




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