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Os políticos no seu melhor!

Como era previsível, houve muito fogo e de artifício em volta da colocação dos 2 milhões e 500 mil euros de dívida pública no mercado. Se por um lado, o governo enfatizou o caso, regozijando-se pelo sucesso da operação; por outro lado, a oposição em bloco desvalorizou o ato, justificando-se com argumentos melindrados e enraivecidos, quando se sabia da extrema necessidade de se dar um sinal positivo aos credores. Duas versões antagónicas num momento de crise severa e acomodada que revelam que não houve entendimento entre os partidos, com destaque para os partidos que assinaram o Memorandum de Entendimento. Assim, sem consensos alargados, vai ser difícil sair do buraco.

Armindo Oliveira
11 Fev 2013

Depois de um longo período de abstinência financeira em que os mercados fecharam literalmente as portas a um país falido e em pré-bancarrota, o governo de Passos Coelho criou as condições suficientes para que os credores, finalmente, percebessem que já havia o mínimo de credibilidade e de aceitação para se cumprir as diretivas impostas pela Troika. A oposição não pode continuar a refugiar-se na argumentação da austeridade para justificar o relativo sucesso do governo. A verdade é que o governo ganhou esta aposta e a mensagem de rigor e de determinação passou claramente pelos mercados ao ponto dos compradores da dívida estarem situa-
dos nos mais diversos lugares do planeta.
Sempre que há algum sucesso nas decisões no governo e sempre que há uma medida razoável a incrementar para resolver problemas, de imediato aparece a oposição a diminuir e a ofuscar todas as virtua-
lidades inerentes a esse sucesso ou ao resultado dessa medida. O que se passa com este governo, tem-se passado com todos os governos anteriores. É com este jogo político que os nossos políticos se preocupam e se empenham em ser inovadores e enérgicos. É neste jogo político que os nossos políticos gostam de se exibir no Parlamento e na comunicação social, mostrando à plateia e aos seus apaniguados que são capazes de apresentar argumentos insofismáveis para defender as suas posições partidárias. É para este jogo político que os nossos políticos se preparam nas escolas dos jotinhas. No essencial, nos grandes combates pelas verdadeiras causas sociais, nas exigências perante os credores, na afirmação positiva do país, na idealização de medidas versáteis tendentes a produzir desenvolvimento, os nossos políticos são frouxos e pouco imaginativos. As suas capacidades e as suas estratégias resumem-se a jogos de poder, como aconteceu recentemente com os velhos “socráticos” que atentaram, num golpe palaciano, contra o líder do PS, António José Seguro.
Gostaria de ver os políticos unicamente preocupados com o presente e o futuro dos portugueses e com a estabilidade do país. Gostaria de os ver no Parlamento com iniciativas legislativas para diminuir o número de deputados e cortar com todas as suas mordomias. Gostaria de os ver a legislar no sentido de se combater tenazmente a corrupção e de confiscar os bens aos prevaricadores. Gostaria de os ver a legislar para criminalizar o enriquecimento ilícito, vergonha de um país democrático em que a ética e a moral, tónicas fortes do regime, são espezinhadas. Gostaria de os ver a financiar os seus próprios partidos e não estarem à espera de dar dentadas no bolo do Orçamento do Estado. Gostaria de os ver a fazer contas no dia-a-dia para pagarem a luz, água, telefone, renda ou empréstimos bancários, impostos, mesadas aos filhos e tantas outras despesas como saúde, educação e alimentação com os salários da classe média.
Sinceramente, com estes políticos, que só olham para os seus umbigos, não poderemos aspirar a ter uma vida tranquila e desafogada. Eles próprios se encarregam de nos arranjar cada vez mais problemas. A política no seu melhor! Continuem que o abismo pode estar próximo!




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