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Um passo de cada vez

Comece por pensar na sua situação pessoal. Ao longo da vida, recebe um conjunto de receitas que advêm do seu trabalho, de outros rendimentos gerados pelo património que possui (rendas, juros, dividendos, etc.) ou de um leque de prestações sociais de que possa usufruir. É, obviamente, com base nessas receitas que vai comparticipar as despesas que queira realizar, sejam elas de investimento (como a equisição de bens móveis ou imóveis) ou de natureza corrente (como férias, roupa, alimentação, transporte, saúde ou educação, só para citar exemplos comuns).

9 Fev 2013

Se, num determinado momento, não tiver os recursos necessários para fazer face às despesas que pretende realizar tem uma de duas hipóteses: ou aliena património para realizar liquidez ou socorre-se de um qualquer tipo de financiamento (seja este formal, através do sector financeiro, ou informal, através por exemplo do apoio de um familiar).
Ainda assim, ambas as alternativas exigem o cumprimento de pressupostos concretos: a existência de património para alienar e a possibilidade de identificação de potenciais interessados, no primeiro caso, e a confirmação do acesso ao crédito, no segundo.
No plano financeiro, sabe também que o valor que poderá realizar com uma venda não planeada pode ser inferior ao valor “justo” do bem e que um qualquer financiamento que obtenha terá posteriormente que ser reembolsado e comportará juros que mais vão onerar o seu orçamento corrente.
Dito isto, consegue admitir uma situação em que o conjunto de despesas que tem de suportar todos os meses é sistematicamente superior ao volume de receitas que obtém? Ou seja, não só vai registando um contínuo défice orçamental mensal como vai vendo os níveis de dívida agravados de mês para mês?
E se, ao fim de algum tempo, não tiver já património passível de ser alienado? Ou se não conseguir obter qualquer financiamento? Ou se, antes mesmo dessa situação limite, os juros que lhe possam exigir são já incomportáveis para a sua normal capacidade de geração de receita?
E se, perante a falta de recursos para efectuar pagamentos, os seus normais fornecedores se recusarem a prestar-lhe certos serviços ou a vender os bens? Se lhe cortarem a luz, a água ou o telemóvel. Se não tiver dinheiro suficiente para fazer as compras do mês? Se…
Admitindo que não vai enveredar por qualquer actividade ilegal, e se colocado perante este desafio, surgem-lhe duas possibilidades de actuação (que podem e devem ser compatibilizadas): actuar de forma a reduzir os seus custos e procurar obter fontes adicionais de receita.
Naturalmente, esta segunda hipótese não é automática e pode demorar o seu tempo a produzir resultados, pelo que, confrontado com a necessidade de fazer face a determinados encargos, a única solução tem que ser reduzir o seu nível de despesa mensal.
Começará por cortar o que lhe parecer supérfluo, mas poderá ter que prescindir de coisas que lhe começam a pôr claramente em causa o seu nível de bem-estar e, até, de algo que já dera como natural e adquirido nos seus padrões de consumo.
Tanto mais que, muitas das vezes, aquilo de que acha que pode abdicar não lhe custa assim tanto e o grosso da sua despesa está em áreas que considera imprescindíveis para a sua qualidade de vida.
Além do mais, como em tudo na vida, pode até tomar opções que pressupõe que terão resultados efectivos, mas que acabam por se revelar más soluções.
Objectivamente, esse empobrecimento progressivo levá-lo-á a uma situação pior do que a que tinha anteriormente, mas permitir-lhe-á chegar a um limiar em que o seu orçamento acabe por ficar equilibrado e passível de ser paulatinamente ajustado em função da nova razão de forças entre receitas e despesas.
Aqui, é provável que volte a conseguir aceder ao crédito em condições mais favoráveis e que consiga orientar o seu foco para a necessidade de geração de recursos que lhe materializem a esperança de um futuro melhor.
Nesse dia, continuará apreensivo em relação aos desafios que tem pela frente e que podem até escapar ao seu controlo directo. Mas vai dormir melhor. Mesmo tendo a certeza de que foi apenas um pequeno passo.




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