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Consequências dos argumentos pró-aborto

Nos últimos tempos o país tem sido chocado por notícias de mães que matam os seus filhos e depois se suicidam. Já não é um caso ou dois mas, escandalosamente, vários em poucos meses. Não conheço nenhum dos casos em particular e cada um será o espelho dos seus traumas e das suas tragédias pessoais. Todavia, não deixando de ser casos particulares, eles podem revelar uma patologia social mais profunda que a sociedade no seu todo veicula. Por que razão uma mulher que se quer suicidar pensa que deve associar a esse ato a vida dos seus filhos? Certamente que a razão não estará no ódio aos filhos ou no atribuir da culpa aos filhos. Penso muito sinceramente que a razão poderá ser uma consequência do argumentário pró-aborto.

Padre Hermenegildo Faria
9 Fev 2013

De facto, um dos argumentos dos defensores do aborto é que a mulher é dona do seu corpo, considerando também o feto como parte do corpo da mulher, de que ela se pode privar por uma razão que apenas a ela diz respeito. O que pensará então uma mulher que se quer suicidar e que quer associar os filhos a esse ato? Pensará ela que os filhos não são seres autónomos mas sim prolongamentos de si própria como qualquer outro órgão do seu corpo? Será que pensa, como os defensores do aborto, que a liberdade de dispor do seu corpo implica a capacidade de dispor também do corpo dos seus filhos?
Um outro argumento dos defensores do aborto é que os progenitores em geral e as mães em particular devem decidir plenamente e segundo o seu desejo do facto de terem um filho ou não. O filho não é um dom de Deus que implica um serviço à vida por parte dos progenitores, mas unicamente o fruto de um desejo, uma realização pessoal dos pais que decidem quando querem os filhos, quantos querem e com que caraterísticas os querem. Esta conceção da paternidade e da maternidade, que vê no filho algo que se molda aos meus planos e não como algo que se acolhe, induz um sentimento de posse muito maior. O filho é meu, fruto dos meus planos e não uma missão consequência de um dom de Deus. É claro que este sentimento de propriedade dispõe mais a transformar o filho em objeto de que se dispõe quando ele deixa de ser visto como algo que encaixa nos meus planos.
No debate sobre o aborto também se valorizava muito a vontade da mulher sem nunca ter em conta a vontade do pai, ao ponto de uma mulher poder abortar contra a vontade do pai do feto. Só a vontade da mulher conta. Este tipo de argumento só favorece a ideia de que o filho é propriedade única da mulher. Por isso como pode um tribunal tirar os filhos a uma mãe para os entregar ao pai se, durante a gestação, a mulher pode decidir sozinha do destino do filho? Por isso o filho só pode ser da mãe e de mais ninguém…
Se alguém dá um tiro e mata alguém, a relação causa efeito é clara. Quem dispara é responsável pela morte da vítima. Mas quem lança ideias que podem ser assassinas também pode ser responsável por mortes, porque há ideias mais mortíferas que as balas.




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