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Jogos ilícitos

A EUROPOL revelou, esta semana, uma investigação sobre 680 jogos com resultados combinados, que ensombram todos os princípios éticos do Desporto e a integridade do futebol europeu. A investigação aponta o futebol mas, na verdade, este fenómeno não é de agora nem se confina a esta modalidade. Vamos ouvindo, nos bastidores, alguns desabafos de atletas e treinadores, noutras modalidades, que ganham muito dinheiro sobre jogos, campeonatos, em que são também protagonistas, e este pode não reunir a mesma dimensão, mas é igualmente reprovável e pouco ético apostar nos seus próprios desempenhos.

Carlos Dias
8 Fev 2013

Na investigação foi denunciado que a sede de todo este processo é em Singapura, e que estes criminosos são responsáveis pela manipulação dos resultados de cerca 680 jogos, estão envolvidas mais de 450 pessoas de 15 países, entre árbitros, jogadores e dirigentes, e gerou lucros superiores a mais de 8 milhões de euros. De todos os detalhes apontados pelos investigadores nunca referenciaram o nosso País.
Por aquilo que sei, em quase todas as ligas europeias profissionais, existem alguns sistemas que monitorizam as apostas, pelo que são detetados, periodicamente, alguns padrões irregulares que denunciem atentados à verdade desportiva.
O combate a este flagelo é muito complexo, porque a escala é global e os meios utilizados pelos criminosos são sofisticados. Mas é imperioso que todas as entidades públicas de cada País, com responsabilidade nesta área, sejam capazes de intervir coordenadamente e assumam a importância de regular as apostas. Este universo de apostas online, em Portugal, não tem regulação legislativa, sendo um dos poucos europeus que não o faz, o que nos torna num país apetecível para as apostas online.
Não há estudos divulgados recentemente sobre as apostas online no nosso País, nem sobre a sua evolução, mas este negócio de milhões precisa de ser regulado, sem dúvida. Segundo o que consegui apurar existem mais de 350 sítios na internet com apostas online, em português, num total de mais de 15 mil que operam na Europa, mas na grande maioria delas sem licença. É evidente que haverá uma guerra entre as entidades oficiais e as novas empresas que pretendem entrar neste lucrativo negócio, mas faz falta uma regulação efetiva deste fenómeno de interesse público. Importante é que as pessoas consigam assistir a um jogo sem reservas, dando valor ao que mais interessa naquilo que o Desporto encerra em si mesmo.
Quando os interesses económicos se sobrepõem a tudo o resto, o caminho só poderá levar à degradação.
É inevitável comparar este processo de viciação de resultados com os métodos de dopagem dos desportistas, pelo facto de ambos terem o mesmo fim: descredibilização das modalidades, do desporto em si e dos valores do Desporto. A desconfiança é algo muito corrosivo para qualquer pessoa ou instituição, mas sem dúvida que esta investigação coloca em risco a enorme e positiva indústria que o Desporto, globalmente, gera.
Não sei se o problema se resolveria com a introdução de uma agência igual à do controlo anti-doping, ligado à Ética no Desporto, mas tenho uma certeza, é necessário regular, fiscalizar e punir, depois de sensibilizar.




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